quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Bolívia da nossa América Latina

O governo Evo Morales sofreu sua mais dura prova pela manutenção do poder e afirmação do seu projeto distribuidor de renda. A oligarquia que até 2005 era dona absoluta das riquezas minerais do solo boliviano, em especial o gás, colocou o país às portas de uma guerra civil. Enfrentamentos armados da juventude cruceñista, da região de Santa Cruz de la Sierra, com os masistas, militantes do MAS - Movimento Al Socialismo - de Evo, provocaram aproximadamente 15 mortos, dezenas de feridos e cerca de 100 desaparecidos. Números esses difusos, divulgados pela mídia brasileira ligada aos interesses da elite boliviana. 

Prédios públicos sendo tomados pela oposição, fechamento das fronteiras, isolamento do espaço aéreo. Tudo meticulosamente desenhado para desestabilizar o governo de Evo e suas reformas radicais que levam os benefícios da venda do gás à região andina.

Os chefes dos quatro departamentos que formam a meia-lua tinham um articulador de nível internacional. O embaixador dos EUA liderava as reuniões e incentivava política e materialmente o movimento separatista. Mas o rumo dos ventos é outro...

Evo o enxotou da Bolívia. Chávez correu o embaixador ianque da Venezuela em solidariedade. E dois diplomatas, um boliviano e um venezuela, voltaram para suas casas sendo expulsos pelo governo Bush. 

Chávez em seu discurso ao povo venezuelano no Palácio Miraflores, em frente a uma Avenida Bolívar llena de toda la gente, lembrou o golpe em Allende e que aprendemos a lição. Ressaltou que por mais pacífica que seja uma revolução, ela não pode ser desarmada. Por isso, colocou à disposição um parte das centenas de milhares de AK-47 compradas da Rússia. Lembrou que se a Venezuela solidária fosse atacada pelos EUA, o petróleo estava cortado.

A guerra é na Bolívia, mas a luta é continental.

Após a manifestação de Chávez, já não havia como os outros se calarem. 
Até o capacho Uribe, baixou as orelhas e apoiou Evo contra o golpe. 
A UNASUL de Chávez venceu a UNASUL de Lula. 
Um colocou seu exército à disposição pra defender a Bolívia, o outro se limitou a dizer que não reconheceria governos golpistas. 
Um convoca o povo ao socialismo do século XXI, o outro ao superávit primário. 

Tomara que o dia de Bolívar, de uma América Latina, livre, justa, unitária e socialista não tarde a chegar. 

Enquanto isso, defendemos Evo e seu governo campesino popular. Lutamos contra a intervenção daqueles que perderam seu playground de golpes militares a cada fim de semana da história.

Não hesitamos em levantar a bandeira do socialismo e da liberdade.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Allende: os sonhos não envelhecem, nem os golpes

por Eduardo Luís Ruppenthal, biólogo e militante do PSOL/RS

11 de setembro de 2008 – Jornais, telejornais, rádio e internet, as notícias desta semana se voltam novamente para o 11 de setembro, o de 2001. Será o último aniversário do fatídico dia com George W. Bush à frente da presidência estadunidense. Para o presidente, o fato ocorrido há sete anos foi um marco para seu governo, além de impulsionar um segundo mandato, justificou o combate ao terrorismo e toda sua política de guerra.  

            Mas, existe outro 11 de setembro, que poucos querem lembrar. E este tem relação direta com o de 2001 e com a realidade atual na América Latina. No Chile, em 1973, as elites econômicas, política e midiática começam a colocar em prática o desfecho do plano de golpe contra um presidente, o primeiro marxista a ser eleito democraticamente no Ocidente. 

            No plano interno, o governo popular que tentava colocar em prática o programa para o qual foi eleito, enfrentava há alguns meses o boicote dos setores conservadores, principalmente através da greve dos sindicatos patronais do transporte rodoviário, com fechamento de estradas e desabastecimento das médias e grandes cidades do país. A crise econômica dificultou a implementação total das reformas sociais como a agrária. Na construção do plano de governo da Unidade Popular, partido de Salvador Allende, tinha a participação de vários exilados políticos brasileiros como Vânia Bambirra (Cientista política e uma das formuladoras da Teoria da Dependência) e Plínio de Arruda Sampaio (PSol/SP e presidente da ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária).           

            A ajuda externa para a desestabilização vinha de Washington. Grande articulador de vários golpes na região, inclusive em 1964 no Brasil, os EUA apóiam militarmente e ajudam outros setores militares dos países vizinhos a se unirem aos golpistas chilenos. Na economia, os estadunidenses, logo em seguida à posse de Allende, colocam suas reservas de cobre no mercado internacional, fazendo com que o preço da principal commodity chilena despencasse. Podemos relacionar isso com o petróleo, a principalcommodity da Venezuela, mas neste caso, os EUA não possuem reservas disponíveis e sim são grandes consumidores dependentes. Por isso, no petróleo, não conseguem desestabilizar o país de Chávez, como tentam fazer por outros métodos.

             O golpe foi finalizado no dia 11 de setembro de 1973, comandado pelo general Augusto Pinochet que manda atacar o Palácio La Moneda. Ataque aéreo, não o de 2001, mas sim em 1973 a um presidente eleito, ataque com ajuda dos EUA. Está dado o golpe que instaura uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina, e deixou mais de 3000 mortos, entre eles, o cantor Victor Jara. Ele e centenas de chilenos, com a instalação do golpe militar, foram levados ao Estádio Nacional de Santiago. Palco de tortura e fuzilamento. O presidente Pinochet governa até 1990, 17 anos com mãos de ferro e sangue.

            Hoje, temos novos ventos que vêm dos Andes, na Venezula com Hugo Chávez, no Equador com Rafael Correa e na Bolívia com Evo Morales.  Recentemente outra ventania veio do Chaco, com Fernando Lugo no Paraguai, que varreu o Partido Colorado do poder, depois de 60 anos. Pelo jeito, a democracia está consolidada e que fatos como o 11 de setembro de 1973 não acontecerão mais. Será? Engano, que a nossa mídia local quer nos fazer crer. Em 2002, tivemos a tentativa de golpe na Venezuela, mas a população desceu às ruas e exigiu a volta do presidente.

             No Paraguai, agora no início do mês de setembro, duas semanas após a posse, o governo denunciou a conspiração que setores reacionários e conservadores aliados a militares estavam em tentativa de golpe. A ação foi repudiada por todos os países vizinhos. Mas, atualmente o caso mais parecido com o Chile de Allende e que perdura desde o início da sua posse é a Bolívia de Evo Morales. Ontem, 10 de setembro, depois de dias de tumultos, protestos contra o governo, boicotes, saques a instituições estatais por parte da oposição, principalmente nos departamentos separatistas onde se encontram as principais riquezas do país como o gás natural, o presidente boliviano declarou o embaixador estadunidense persona non grata,aconselhando-o abandonar o país. “Não queremos gente separatista nem divisionista, nem que conspire contra a unidade. Não queremos pessoas que atentem contra a democracia”, afirmou Evo, em uma solenidade no palácio de governo. O embaixador tem se reunido com os governadores de Santa Cruz e Chuquisaca, departamentos divisionistas e responsáveis pela atual desestabilização política e econômica.

Neste 11 de setembro, fiquemos atentos, a luta segue, as labaredas se abrirão para toda a América Latina, pois os sonhos jamais envelhecem!

Toda solidariedade ao povo boliviano! Resistência Bolívia! Allende VIVE!

11 de setembro de 2008. 35 anos do golpe.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Celia Hart

Um furacão revolucionário nasceu e nos deixou em Cuba esta semana. A notícia do Gramna, jornal cubano, encheu os socialistas da América Latina de tristeza. A alegria incomparável desta cubana filha da Revolução vai fazer falta. Extrovertida, simpática e disposta às mais importantes análises e elaborações sobre os rumos do socialismo na ilha caribenha, nos deixou de maneira absurda. Segundo versões oficiais, o fusca em que estava com seu irmão bateu contra uma árvore. A Celia que conheci e convivi em Buenos Aires, nos dias 15, 16, 17 e 18/08, tinha me dito que "daria um jeito de me levar para festa dos cinquenta anos da Revolução". Ela me disse isso num espanhol carregado de esperança e solidariedade que jamais vou ver de novo.


(Foto que eu tirei em 15/08, no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, no palco do ato de abertura do IV Congresso do Movimento Socialista dos Trabalhadores, Celia a duas cadeiras ao lado, à esquerdo por supuesto)


Segue trechos e os links de homenagens a Celia. 


"Converteu-se assim em uma voz revolucionária que soube unir com agudeza a defesa da revolução cubana a partir de seu encontro com o novo processo anti-imperialista que se vive na América Latina."
Luciana Genro, Pedro Fuentes, Roberto Robaina
Movimento Esquerda Socialista/PSOL
leia na íntegra

"Así la vamos a recordar, revolucionaria, pura y comprometida con la causa de la revolución socialista, la que defendió con firmeza toda tu vida."

Vilma Ripoll, Alejandro Bodart y Sergio García

Por la Dirección Nacional del MST

(Movimiento Socialista de los Trabajadores de Argentina)

leia na íntegra


"Celia, transmitía con alegría y optimismo sus ideas y proyectos. Su muerte nos redobla en el esfuerzo revolucionario e internacionalista, en el compromiso de seguir defendiendo ese proyecto y esas ideas socialistas que en los últimos años levantamos en común."

Consejo Editorial de Revista de América

leia na íntegra

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Eleição ou BBB?


Das duas, uma: ou o Big Brother estimulou tanto a participação democrática dos brasileiros e contaminou com sua quebra de privacidade pessoal no pleito municipal ou as eleições viraram a disputa da vida privada.

Não quero mais ouvir de cabelos, cores, photoshop. Quem mudou isso ou aquilo esteticamente. Tu viu onde aquela uma mora? Aquele outro tem um filhinho simpático.

Qual as propostas? O que pensam? O que fizeram?

A mídia monopolista que apresenta a pauta de discussões à sociedade se encarrega da 'bigbrotherização' das eleições.

O que fariam com os R$ 50 milhões da Mega Sena. Onde cuidam da saúde. Isso lá importa para quem vai governar Porto Alegre?

A lei eleitoral, contestável e anti-democrática, dá mais tempo de TV para quem tem mais deputados na Câmara Federal. Os que já estão lá têm mais tempo na TV para continuarem.

As eleições estão quase acabando sem "incomodar" a vida de ninguém. Um desastre. Se a eleição não mexe com as pessoas, a putaria institucionalizada será referendada.

Deixem o Big Brother para o verão 2009.

Ainda nem entramos na primavera.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Uma rápida (e talvez necessária) apresentação

Um projeto de jornalista deve ser curioso, inconveniente, impertinente, talvez até um pouco invasivo.


Não tenho muita vergonha. Quase nenhuma. Na verdade a espontaneidade supera minha tímida timidez. Gosto das relações que simplesmente acontecem.


Sou daqueles que dificilmente vai juntar as escovas de dente com a de alguém. Eu uso a dela desde a primeira noite. Isso não é nada. Perto das alpargatas do sogrão.