terça-feira, 6 de outubro de 2009

Silêncio de alguns dias e a chegada a Tegu

Houve, como eu esperava, as primeiras confusoes por aqui. Tudo porque quando na sexta tentei embarcar para Tegucigalpa, capital de Honduras. Nao rolou. Somente no sábado 6 da manha. Beleza, acordei ultra cedo. E quando embarquei para Honduras absolutamente ninguém me disse que era preciso visto. Falei com professores universitários, a governanta da pensao, funcionária da empresa de ônibus que faz a viagem.

Entao embarquei bem feliz. Antes disso escrevi algumas coisas. A saudaçao ao IV Congresso de Estudantes da UFRGS. Fiz um rascunho, mandei. Nao gostei, mandei outro, com as primeiras perspectivas projetando Honduras. Para o blog igual, até sair aquele primeiro post. Ja estava em conversas com várias pessoas que estiveram aqui em Honduras.

Pois bem. Três horas e meia de viagem até a fronteira. Qual minha surpresa?

A funcionária da fronteira hondurenha me convidou a sair do ônibus, esperar o próximo de volta a San Salvador e me disse que eu tinha que ter o maldito visto.

Pensei que era o fim de tudo. Mas ela disse que era bem simples e custava solo 30 dólares. Solo porque nao é do bolso dela.

O foda nao foi isso. Era sabado. O Consulado hondurenho so abriria na segunda. Entao me toquei para lá segunda.

O fim de semana foi interessante, mas nao tive como publicar nada. Sem computador, mas com alguns amigos novos. Três espanholas e um espanhol. Todos muitos queridos e amáveis. Foi o que me salvou da solidao. Quem também ajudou muito foram Fidel e Vladimir, da Universidad Luterana Salvadoreña. (http://www.uls.edu.sv/)

Domingo caminhei até torrar o couro cabeludo, a nuca e os braços no sol. O centro de San Salvador é uma concentraçao humana, uma confuso generalizada de ambulantes, mas um lugar belíssimo.

O ônibus é muito barato. Custa US$ 0.20, ou R$ 0,38. Era de esperar. A frota é de nada-mais-nada-menos que da década de 50 e os novos da década de 60. Muitos com bandeiras do Brasil.

O povo salvadorenho é o que se pode chamar de hospitaleiro. Alegres, comunicativos, futeboleros y cerevezeros como me disseram. Lembra muitas coisas do melhor do Brasil. Lembra também o pior. Muita desigualdade e miséria. Um país com 7 milhoes de pessoas e mais 3 milhoes de estrangeiros nos EUA. A remessa de dinheiro é boa parte dos recursos que as famílias tem aqui. Além dos infinitos carros que vem dos EUA para cá enviado por familiares que migraram.

Conheci outros jovens salvadoreños a partir dos espanhóis. Saimos em um bar chamado Utopia, depois do fatídico dia da fronteira. Esse dia eu viajei 7 horas de ônibus ABSOLUTAMENTE de graça. Eu fiquei mesmo irritado e preocupado também.

Os níveis de insegurança em El Salvador sao muito altos. Ninguém conseguiu me precisar bem, mas há muitos homicidios por aqui. Há muita segurança privada, fortemente armada. Sim, gente com fuzil, espingarda, calibre 12.

A preocupaçao com a segurança pública está em primeiro lugar para os salvadorenhos. Isso li no jornal em pesquisa de um Ibope de lá.

E a surpresa veio na segunda. O cara que ia me levar para tirar o visto se atrasou uma hora. Fiquei mais ansioso ainda. Tinha que tirar o visto de manha e pegar o ônibus às 12h30 em outro lado da cidade.

Mas sorte me sorriu e eu corri para abraçar ela.

Encontrei dois brasileiros no Consulado. Na mesma que eu. Tentaram entrar, foram barrados e tiveram que voltar. Era o jornalista Fabio Pannunzio e o cinegrafista André Zorato da Band.

Conversamos e me disseram que estavam indo na mesma hora e perguntaram se eu nao queria ir com eles também.

Finalmente as coisas ficaram mais fáceis. A viagem foi ótima. Apesar das milhoes de imprudências cometidas pelos motoristas locais. Vimos um acidente brutal. Caminhao, quatro ou cinco carros, camionetes. Um inferno.

Desviamos e seguimos.

Chegando a Tegu uma obra conseguiu a proeza de explodir um cano de alta pressao. A água jorrou como petróleo nas bacias de exploraçao. Apesar do desperdício a imagem foi muito bonita.

Aqui em Honduras, o cenário nao é de guerra civil, como fez questao de me dizer o jóvem taxista Nelson que me cobou 80 lempiras, moeda local, equivale a 4 dólares (o câmbio na frooteira foi 18 lempiras por 1 dólar), para me levar do Hotel Clarión onde ficou os amigos da Band e onde estao os jornalistas brasileiros até o Hotel Granada IV onde estou escrevendo agora.

Conversei com muitas pessoas. Tirei fotos de várias pixaçoes. (Posso enviar, me escrevam para rodolfo11@gmail.com). E conversei muito com três pessoas que estao construindo a Frente Nacional de Resistência há, agora, mais de 100 dias. Ontem tomamos uma cerveja para comemorar a queda do Estado de Sítio. Foi um duro golpe o fechamento do canal 36 e da rádio Globo.

Conversei no hotel com Ed, um homem de Sao Pedro Sula, que disse que em Tegucigalpa tem muitos que apóiam Zelaya porque vivem às custas do governo.

Confrontei essa opiniao aos jovens da Resistência Hondurenha.

Alguns protestos muitos massivos, como o do 15 de setembro, onde se especula que tenham participado em torno de 200 mil pessoas só aqui em Tegu, e a organizaçao que se passa nos bairros nao se explicam somente pela gana do dinheiro público. Se fosse por isso era necessário que os apoiadores de Michelleti que, segundo todos que eu falei aqui até o momento, também se desbunda em corrupçao. Assim como seu aliado brasileiro que por aqui tem feito sucesso pela banda conservadora: José Sarney. Sim. O próprio. Muito citado aqui por favoráveis e contrários ao governo interino.

O Presidente do Senado e suas posiçoes nada populares fizeram um desfavor a este país. Assim como muitos pensam que o papel de Lula também. Bom, essa já é outra história.

Hoje, da fato, começa a minha viagem.

Hasta Luego!


Obs.: Nao tenho tempo agora para corrigir, qualquer problema de digitacao ajeito outra hora. :)

4 comentários:

Mônica disse...

Rodolfo, não poderia ter sido diferente, só quem enfrenta os revezes, sabe abraçar a sorte qdo ela lhe sorri.

Acredito que todos os processos enfrentados trarão uma maior compreensão do contexto. Experiências vividas jamais serão esquecidas. Fico na torcida espero notícias para comentá-las e desta forma ficarmos interligados.

Grande beijo da tua madresita e que a sorte gargalhe tb, sorrir prá ti só ao te conhecer, depois impossível não se encantar com teu jeito de ser!!!

Mercedes Mirabal disse...

Rodolfo, fala a verdade: não te barraram em Honduras na primeira tentativa de entrada pelo visto... Foi por causa do cabelo!!! rsrsrs
Aí isso explica a foto de cabelos curtos - e agora em Honduras!
hahahahha
Abração! Muito legal o diário da viagem!
Lara

Diângeli Soares disse...

Rodolfo, muito curiosa para te ver desenvolver essa parte do Sarney e do Lula. A principio, a avaliacao da esquerda a que eu tive acesso por aqui era de que, nessa questao de Honduras, a posicao do governo brasileiro havia sido acertada. O pessoal diverge por ai? Beijocas

André disse...

EU FAÇO PARTE DESTA HISTÓRIA, E QUERO MINHAS FOTOS, TÁ.

PARABÉNS RODOLFO, ACHEI DO CARALHO A SUA ATITUDE DE ENFRENTAR UM GUERRA, DA FORMA QUE ENFRENTOU. CARA SIGA O SEU CAMINHO COMO JORNALISTA, POIS TENHO CERTEZA QUE ESTÁ NO CAMINHO CERTO.

ABRAÇOS.

ANDRÉ ZORATO..andrezorato@hotmail.com