quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

É só uma criança

que saudade maldita

ela vem, chega, bagunça tudo...

Ir embora? pra quê?

o bom pra saudade é ficar aqui
me insistindo a não querer te lembrar

sim, porque eu queria lembrar de ti de propósito
com a vontade daqueles que não sofrem
daqueles que não choram
daqueles que não perdem o sono
que não perdem o ânimo

que deixaram o desânimo em um canto qualquer


pois é

ela fica instalada no meio de uma sala redonda...

onde eu não possa me esconder.

fica na sala central do meu corpo

latejando meu coração

despertando meu tesão

me tentando a ti

às vezes me pergunto se não foi tu que mandou ela pra cá

tirou ela de ti e mandou me visitar, passar uns dias comigo...

como se fosse um filho

fruto da separação

E os filhos da nossa junção

onde é que ficaram?

acho que essa filha maldita pegou eles todos, juntou num saco e esparramou tudo por aqui

A saudade é uma criança que brinca com as nossas lembranças dentro da minha lembrança

Pega os nossos brinquedos mais legais e não pára um segundo

Lógico, é só uma criança que quer brincar

É uma criança que eu quero abortar

Que quanto mais cresce e se desenvolve mais me angustia

E isso nem tu e nem eu precisamos.

Era parte do nosso acordo.

Pena que as crianças não entendem dessas coisas de adultos.

Um comentário:

Marana Borges disse...

Você acaba de ampliar a experiência de saudade. Nunca havia pensado nela com um olhar ao mesmo tempo inocente e perturbador. Muito lindo esse texto.