terça-feira, 16 de março de 2010

Pré-sal, Sérgio Cabral e Juca Kfouri

O tema é polêmico, mal-explicado e terá contornos inusitados.

A emenda que garante a distribuição dos recursos do petróleo do Pré-Sal para todos os estados e municípios do Brasil é justa, legítima e necessária. Precisamos pensar o Brasil de conjunto.

Sérgio Cabral se estivesse na Bolívia nos estados produtores de gás certamente estaria no movimento separatista que quase levou a Bolívia à guerra civil em 2008.

É inaceitável que apenas RJ e ES fiquem com os royalties do Pré-sal.

Entretanto o pior não se fala. Estive domingo com Geraldinho, suplente da Luciana Genro, Deputada do PSOL na Câmara Federal. Geraldinho substituiu Luciana ano passado e durante sua estada como Deputado Federal participou ativamente da discussão sobre o marco regulatório do Pré-sal. Perguntei a ele sobre a dita emenda. Ele me respondeu de bate-pronto: "Não quero discutir para onde vai 30% dos royalties. Quero os outros 70% que vão pra Shell".

Sim, todo o debate é sobre cerca de 30% do dinheiro que ou o Brasil ou ES e o RJ levarão do Pré-sal. O resto fica com as mega corporações transnacionais do petróleo que vão explorar a concessão do governo e fazer a festa.

Brigamos pelas migalhonas do Pré-sal e enquanto as Shells da vida ficam com a maior parte.

Aproveito para não repetir o Juca Kfouri, da qual opinião compartilho nesta questão, no que tange o debate. Abaixo nota dele de hoje sobre o assunto e as fanfarronices do Sérgio Cabral. Incrível cara de pau do PMDB, amigão do Lula.

http://blogdojuca.uol.com.br

Em vez da boa política, chantagem pura e simples

Que a emenda Ibsen Pinheiro é polêmica e prejudica estados como os do Rio de Janeiro e Espírito Santo parece claro.

Daí a reagir com simulação de choro, ranger de dentes e chantagens do tipo renunciar à Olimpíada-2016 e à Copa do Mundo de 2014 no Rio vai uma grande distância, embora seja exatamente isso que o governador Sérgio Cabral Filho esteja fazendo.

Os recursos do pré-sal, por exemplo, vale repetir, nem podem ser citados como previstos para investir na Olimpíada porque quando a candidatura do Rio foi lançada não se tinha a menor ideia de seu potencial.

Decretar ponto facultativo nesta quarta-feira no Rio para que os funcionários públicos possam ir ao protesto organizado pelo governador é outra forma rasteira de se fazer política, principalmente porque esses mesmos funcionários quando protestam ou fazem greve são tratados à base de cassetetes, bombas de efeito moral etc, como aconteceu em setembro passado –.e pode ser visto na foto abaixo.

E o clima de chantagem acaba por criar, nacionalmente, um clima de antipatia em relação às reivindicações dos fluminenses e capixabas, caldo de cultura para o Senado ratificar a decisão da Câmara dos Deputados e dificultar um eventual veto de Lula.

Em tempo 1: sem se dizer que o governador não chorou nem se moveu de sua mansão em Mangaratiba, tão próxima à tragédia que se abateu sobre Angra dos Reis na passagem do ano.

Em tempo 2: este mesmo Carlos Nuzman que agora vê quebra de contrato com o COI caso seja aprovada a emenda, é aquele que prometeu legados ao Rio-2007 e que, na semana passada, disse que o Pan não deixou legado algum porque a ODEPA não exige que deixe, diferentemente do COI.

Dá para acreditar nesta gente?


Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 16 de março de 2010.


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