sexta-feira, 19 de março de 2010

Sverdlov

J. M. Sverdlov foi reconhecido por Lenin como o grande organizador do Partido Bolchevique e, consequentemente, da Revolução Russa de 1917.

Esta semana que vivemos a semana final das plenárias de eleição de delegados/as para a escolha do candidato a Presidente da República pelo PSOL pensei que nos nossos Sverdlovs.

Certamente não temos um como ele, dada as condições que vivemos e a impossibilidade de produzirmos, por agora, pessoas que fossem como ele; são outras as tarefas. O que não nos isenta de ter bons/boas organizadores/as do Partido, da classe trabalhadora, estudantis.

Para homenagear o maior dos organizadores dos trabalhadores, reproduzo o discurso de Lenin no enterro de Sverdlov, que amanhã, 20 de março, completa 91 anos.


"Companheiros!

No dia em que os trabalhadores de todo o mundo comemoram a Insurreição Heróica da Comuna de Paris e seu trágico desate, temos de levar ao sepulcro o Companheiro J. M. Sverdlov.

No decorrer de nossa revolução e de suas vitórias, o Companheiro Sverdlov conseguiu expressar, do modo mais completo e mais efetivo do que qualquer outra pessoa, a própria essência da Revolução Proletária.

Nisso se encerra seu significado enquanto dirigente dessa revolução, em grau ainda muito mais elevado do que a sua fidelidade ilimitada à causa revolucionária.

Segundo as pessoas superficiais, segundo os nossos inimigos, segundo as pessoas que oscilam entre a revolução e seus adversários, salta aos olhos, sobretudo, o acerto de contas, decidido e impiedosamente severo, da revolução com os exploradores e inimigos do povo trabalhador.

Sem a violência revolucionária, o proletariado não poderia, evidentemente, ter vencido.

Porém, não existe dúvida de que a violência revolucionária se apresenta como necessária e lícita tão somente em determinadas circunstâncias, enquanto que o atributo muito mais essencial na revolução, bem como o pressuposto de sua vitória, é a organização das massas proletárias.

Nessa organização reside a profunda fonte de sua vitória. Precisamente esse lado da revolução proletária produziu também, no processo das lutas, seus dirigentes que incorporaram a particularidade da Revolução Proletária: a organização das massas.
Esse traço da Revolução Proletária produziu, igualmente, o Companheiro Sverdlov que foi, antes de tudo e em primeira linha, um organizador.

Companheiros! Particularmente nos tempos díficeis da preparação incessante, dolorosa e incomensuravelmente longa da revolução, nós, russos, tivemos de sofrer sobretudo em razão da divergência entre teoria, princípios, programa e prática.

A história do nosso movimento revolucionário conhece, ao longo de muitas décadas, personagens dedicados à revolução que, entretanto, não puderam assegurar aplicação prática ao seu ideal revolucionário.

Apenas a Revolução Proletária forneceu a base autêntica, o fundamento verdadeiro, o auditório real.

E aqui, acima de tudo, destacaram-se aqueles dirigentes que conseguiram conquistar para si um lugar proeminente como organizadores práticos.

Por direito, esse lugar pertenceu ao Companheiro Sverdlov.

Se lançarmos um olhar em sua vida, perceberemos que seu notável talento de organização formou-se no quadro de prolongadas lutas.

Cada uma de suas qualidades extraordinárias de grande revolucionário foram forjadas por ele mesmo, vivenciando-as e colocando-as à prova nas diferentes épocas e sob as condições mais difíceis da atividade de um revolucionário profissional.

No primeiro período de seu trabalho, ainda quando jovem, logo que despertou sua consciência política, dedicou-se, inteiramente, à revolução.

Nessa época, bem no início do século XX, o Companheiro Sverdlov surgia diante de nós como o tipo mais marcante de revolucionário profissional - um homem que rompera totalmente com sua família, com todas as comodidades e costumes da velha sociedade burguesa.

Rompeu com sua família e com todos os hábitos da sociedade burguesa, trocando, ao longo de prolongados anos, o cárcere pelo exílio e o exílio pelo cárcere, consolidando-se como revolucionário.

Porém, esse revolucionário profissional jamais, nem mesmo por um só minuto, separou-se das massas.

As condições sob o czarismo forçaram-no, tal como a todos os revolucionários daqueles tempos, à atividade clandestina, ilegal.

Porém, também nela, o Companheiro Sverdlov seguiu sempre ombro a ombro e de mãos dadas, com os trabalhadores avançados que, logo a partir do início do século XX, começaram a ocupar as próprias fileiras das gerações precedentes de revolucionários da inteligência.

Precisamente a essa altura, trabalhadores avançados surgiram às dezenas e centenas.
Educaram-se para o rigor das lutas revolucionárias, não perdendo, ao mesmo tempo, as mais firmes ligações com as massas, sem as quais não poderia ter existido uma revolução vitoriosa do proletariado.

Justamente essa longa trajetória do trabalho ilegal constitui, antes de tudo, elemento característico para um homem que, permanentemente participando da luta, jamais se separou das massas, jamais abandonou a Rússia, sempre atuou conjuntamente com os melhores dos trabalhadores, logrando formar em si mesmo, apesar daquele isolamento de vida ao qual era condenado o revolucionário pelas perseguições, não apenas o dirigente amado pelos trabalhadores, não apenas o dirigente que profunda e principalmente conhecia o trabalho prático, mas também o organizador dos proletários mais avançados.

Alguns pensavam - entre esses, freqüentemente, nossos inimigos ou as pessoas mais oscilantes - que o trabalho ilegal, traço obrigatório do revolucionário profissional, separava-o das massas.

Porém, o exemplo da atividade do Companheiro Sverdlov demonstra o quanto é falso esse ponto de vista.

Precisamente a devoção ilimitada à causa da revolução daqueles que percorreram muitas prisões e os mais remotos lugares dos exílios siberianos forjaram dirigentes como o Companheiro Sverdlov, no momento em que tal devoção conjugou em seres humanos inteligência e capacidade para impulsionar o trabalho de organização. Tão somente ela foi capaz de produzir talentos de organização.

Através de círculos ilegais, através do trabalho revolucionário clandestino, através do partido ilegal, o Companheiro Sverdlov logrou alcançar o posto de primeiro homem na primeira República Socialista, o posto de primazia entre os organizadores das amplas massas proletárias.

Companheiros! Todos aqueles que trabalharam dia após dia com o Companheiro Sverdlov viram, de modo particularmente claro, que seu singular talento de organização assegurou-nos aquilo de que nos orgulhamos, com pleno direito.

Ele assegurou-nos a possibilidade de um trabalho organizado, adequado, unânime, que se tornaria digno das massas proletárias organizadas, trabalho esse sem o qual não poderia existir sucesso algum nem seria possível dar resposta, na mais plena dimensão, às necessidades da Revolução Proletária.

Nesse trabalho ardente que, em tempos de revolução, exige dirigir revolucionários, um valor colossal representa a autoridade moral a qual adquire sua força, naturalmente, não em uma moral abstrata, mas sim na moral do lutador revolucionário, na moral das fileiras e dos elos das massas revolucionárias.

Se conseguimos, durante mais de um ano, levar o fardo que sobrecarregava um pequeno círculo de revolucionários devotados, se os grupos dirigentes conseguiram decidir as questões mais difíceis tão firme e unanimemente, foi exclusivamente porque um posto proeminente entre eles foi ocupado por um organizador tão singularmente talentoso como Jakob Mikhailovitch.

Tão somente ele conseguiu reunir em si um conhecimento admirável do quadro do pessoal dirigente do movimento proletário, tão somente ele conseguiu formar em si mesmo, no curso de longos anos de luta, o instinto da prática e o talento de organizador, bem como alcançar aquela autoridade indiscutível, em virtude da qual Jakob Mikhailovitch dirigiu, individualmente, grandes setores inteiros de trabalho do Comitê Executivo Central dos Sovietes de Toda a Rússia (VTsIK), para os quais teria sido necessário todo um grupo de pessoas.

Apenas ele conseguiu conquistar a posição, na qual bastava uma palavra sua sobre certa questão para que fosse ela decidida de uma vez por todas, sem qualquer consulta e sem qualquer votação formal.

E, junto a todos, surgia a certeza de que ele a havia sido decidido precisamente, tal como cumpria sê-lo, de modo que não apenas os trabalhadores avançados, mas também todas as massas operárias, consideravam essa decisão como definitiva.

A história sempre demonstrou que as grandes revoluções engendram grandes personalidades, bem como desenvolvem talentos que antes eram considerados impossíveis.

Ninguém teria acreditado que da escola do círculo ilegal e do trabalho clandestino, da escola de um pequeno partido perseguido, do cárcere de Turukhansk, pudesse proceder um tal organizador que, em virtude de seu próprio conhecimento, exerceu uma autoridade absolutamente indiscutível enquanto organizador de todo o Poder Soviético da Rússia, organizador singular do trabalho do partido.

Organizador extraordinário desse partido que criou os Soviets e, na prática, executou o Poder Soviético – poder esse que agora empreende sua difícil e dolorosa marcha, inundada de sangue, porém vitoriosa, através de todos os países do mundo.

Um tal homem não lograremos substituir jamais, se entendermos por substituição a possibilidade de encontrar um companheiro que unifique em si tais capacidades.
Nenhum daqueles que conheceram Jakob Mikhailovitch pode duvidar que, nesse sentido, o Companheiro J. M. Sverdlov é insubstituível.

O trabalho que ele sozinho realizou será doravante realizado, necessariamente, apenas por grupos de pessoas que, prosseguindo conforme suas pegadas, darão seqüência ao seu trabalho.

Entretanto, a força da Revolução Proletária reside precisamente na profundeza de suas fontes.

No lugar daqueles que dedicaram ilimitadamente suas próprias vidas à revolução e aderiram às lutas, a Revolução Proletária produz outras fileiras de pessoas que, talvez, sejam menos experimentadas, menos versadas, menos preparadas, mas que prosseguirão a sua obra, vinculando-se às amplas massas e capacitando a si mesmas a se colocarem no lugar dos grandes talentos precedentes.

Nesse sentido, encontro-me profundamente seguro de que a Revolução Proletária na Rússia e no mundo inteiro gerará diversos grupos de pessoas, inúmeras camadas de proletários e de camponeses trabalhadores que aportarão à vida significado prático e talento de organização, senão individual, então coletivo, sem o qual não será possível atingir a vitória.

A mémoria do Companheiro J. M. Sverdlov servirá não apenas como símbolo de devoção do revolucionário à sua causa, não apenas como exemplo de vinculação de habilidade e sobriedade práticas, de perfeita conexão com as massas e de capacidade de as dirigir.

Ela nos assegurará, além disso, a garantia de que massas cada vez mais amplas de proletários avançarão sempre adiante, rumo à vitória completa da Revolução Comunista."

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