segunda-feira, 5 de abril de 2010

Do evento mais importante

Como uma esquina vira uma encruzilhada? Não falo destas dos despachos religiosos.

Como um momento fundamental se perde no mar dos parênteses e dos apostos e dos predicados e dos adjetivos que inundam tudo?

Pois.

Ele caminhava entre o passo rápido e a corrida leve. Foi picando mesmo. Numa velocidade incompreensivelmente sofrida e feliz. Ía assim mesmo, com todas as licenças possíveis. Desde aquelas que evitam esbarrões às poéticas.

Queria chegar tão logo não demonstrasse o que queria demonstrar. Aquilo que não conseguia esconder.

Pensou, mediu, correu, escorregou. Chegou.

Quando o céu beija o mar já não há mais nada que se faça. O infinito já se fez. Estamos irremediavelmente presos.

Bom, tudo isso era o evento mais importante para ele.

Ela. Bem, ela, quem vai saber?

As coisas não são assim tão precisas. Que dirá os pensamentos dela?

Seus planos, suas vontades, seus sabores e aromas.

O que há de certo é só o incerto.

O que há de líquido é o vento escorrendo pelos cabelos pretos.

Um comentário:

Bete lopes disse...

simplesmente inesquecível,muito bom.bjos