segunda-feira, 3 de maio de 2010

3 de maio



Eu não podia deixar de registrar o dia de hoje até porque ele dois marcos históricos vieram automaticamente a minha cabeça hoje de manhã.

O primeiro foi em 1968. O maio que mudou os costumes do mundo no século XX começou em parte pelas mobilizações na Sorbonne, Universidade parisiense, neste dia. Foi o primeiro choque entre estudantes e polícia. A reivindicação era de que o alojamento estudantil fosse misto, de uso de homens e mulheres.

Os desdobramentos disso levaram o governo de Gaulle à lona, após sucessivas greves gerais, e enfrentamentos nas principais ruas de Paris e Nanterre. Barricadas foram erguidas e o Quartier Latin, bairro majoritariamente de estudantes em Paris, foi o quarto general da resistência juvenil.

Já em 2007 é o dia que iniciou da mais recente ocupação da Reitoria da USP. Cerca de 400 estudantes tomaram o prédio por uma série de pautas específicas que foram se ampliando de acordo que o movimento crescia.

A repercussão transcendeu o estado de São Paulo e embalou a mobilização de milhares de universitários Brasil afora. Nós aqui em Porto Alegre ocupamos a Reitoria da UFRGS em 05 de junho. Em solidariedade à USP e por todas as nossas lutas. Nossa pauta tinha a implementação das cotas, a construção do Restaurante Universitário para o campus da Educação Física, novo prédio para o Instituto de Artes, Casa de Esutdante para o Campus do Vale, entre outras.

Fomos quase completamente atendidos. As cotas são uma realidade na UFRGS. Os estudantes da Educação Física almoçam no mais novo Restaurante Universitário da Universidade.

Em 2007 sacudimos a poeira acumulada sobre as páginas da história das grandes lutas da juventude. Voltamos à cena contrariando aqueles que diziam que a gente era coisa do passado.

Esse estopim se potencializou pelo Fora Yeda em 2009. Reeditamos os Caras Pintadas aqui no Rio Grande do Sul. A luta contra a corrupção embalou uma nova geração de jovens nas ruas. Gente de 14, 15,16, 20, 25 anos. Muitos dos mais novinhos ainda nem ouviram falar nos feitos de 68. Em breve saberão que são os herdeiros daqueles que ousaram lutar por um mundo novo. Um mundo de minissaia, de pílula anticoncepcional, de sexo livre, de expressão livre, de sonhar em tomar o poder e mudar de verdade o mundo.

Maio de 68 segue vigente justamente porque o poder mudou de nome e de cara, mas não de mãos.

Os muros de Paris indicaram o caminho.

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