sexta-feira, 21 de maio de 2010

Rock também roda o mundo

Inauguro aqui a primeira de uma série de contribuições do amigo, escritor e sociólogo Israel Dutra. Além disso é do PSOL também. Aqui ele relembra Ian Curtis. Para quem conhecia pouco como eu e para quem não conhece nada vale a descoberta.

Para os admiradores agora terão aqui no Rodomundo um pouco mais de cultura.


Trinta anos sem Ian Curtis

Há trinta anos, no dia 18 de maio de 1980, com apenas vinte e três anos e no auge de sua produção lírica, num subúrbio do interior da Inglaterra, Ian Curtis se despediria para sempre da vida.
Sua genialidade foi compartilhada como guitarrista, arranjador, vocalista com estilo singular (sua voz grave foi um dos pontos altos da carreira), e sobretudo, como letrista mordaz e apaixonado.
Sua vida foi marcada pelo convívio em Manchester, tradicional cidade operária. Junto com seus amigos Peter Hoork e Bernard Summer acabou entrando para a história ao formar uma banda que mudaria o cenário musical inglês, influenciando diretamente roqueiros de todo o mundo. Indiretamente, o movimento do Rock Brasileiro dos anos oitenta bebeu do legado de Ian e do Joy Division. Mesmo depois do desfecho trágico, os continuadores do Joy Division, reagrupados no New Order, continuaram marcar corações e mentes com sua arte contemporanea.

Bem vindos aos anos oitenta

Ainda no final dos anos setenta, o Joy Division foi formado por influência direta do punk inglês, em especial do Sex Pistols. Apenas no ano de 1978 que a banda adotou o nome pelo qual seria imortalizada- até então eram conhecidos como Warshaw(em referência a cidade de Varsóvia, por ser um patrimonio de resistência da humanidade, referida numa canção de Bowie). O nome Joy Division fazia menção a uma casa de prostituição, que adotara este nome por conta da área destinada às prostitutas nos campos de concentração. A irônia melancólica do nome servia como senha do estilo Ian Curtis.

Sombrios, cada vez mais sombrios

O final dos setenta na Inglaterra estavam marcados pela ascensão "original" do neoliberalismo. Uma juventude operária marcada pela desesperança e pelo desemprego, expressava na música seus anseios e desencontros. Surgido daí o movimento punk, encabeçado por bandas como os Sex Pistols e o The Clash. Anos mais tarde, como profecia terrível, este sentimento iria se confirmar na gestão pioneira de Margaret Tatcher, que derrotando greves, destroçando direitos de trabalhadores, fazia valer a máxima: "Não há futuro".
Neste contexto sombrio, o Joy Division irá dialogar com o romantismo e a "new wave". A dança desajeitada e furiosa de Ian Curtis, simulando ataques epiléticos em pleno palco seria uma das marcas deste perfil.
Sua influência pode ser vista, no Brasil, nas letras de Cazuza, nos trejeitos de Renato Russo, e mesmo na sonoridade de bandas como o Nenhum de Nós.

Mas, o amor novamente vai nos separar

A obra inacabada do Joy Division e suicídio prematuro de Ian Curtis pode ser visto como o melhor prenúncio dos anos oitenta. Anos de grandes derrotas nas greves mineiras, de auge do Punk, de retorno dos góticos. Anos díficeis e inovadores. Tempos discordantes. No Brasil, o gosto do novo com a queda da ditadura, com novos movimentos artísticos e culturais em Brasília, Porto Alegre e São Paulo. Em Manchester, Londres, uma Europa desencantada, cheirando à ressaca. Como cantaram os Smiths" há pânico nas ruas de Londres, Birminghan..."
Apenas em 2007, Ian Curtis ganhou uma merecida homenagem com uma biografia no cinema, intitulada "Control". Um filme de rara percepção e sensibilidade, com uma atuação brilhante de Sam Riley. Eis uma história que vale a pena conhecer. As melhores locadoras de Porto Alegre tem em suas prateleiras este título.
A desesperança de seu tempo calou o jovem Ian. Sua canção mais conhecida encerrou o veredicto, "uma vez mais o amor vai nos separar".

Um comentário:

Bleffe disse...

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