segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Um fim de semana inesquecível

Peço licença aos leitores. Talvez eu escreva para mim mesmo.

Consegui uma folga de dois dias na campanha para uma volta ao passado e um encontro com o presente.

Estive com a mãe e com irmão mais novo em Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul. Em Monte Alverne, distrito de Santa Cruz, nasceu e morou a família do meu avô, pai da mãe, Valdir Mohr. Lá começou a minha história. Já que o vô do meu vô veio do norte da Alemanha em meados do século XIX e encontrou no berço da colônia alemã aqui no estado um cantinho para montar a casa, o potreiro, galinheiro, a horta.

Minha vó veio de Fortaleza visitar uma irmã que praticava a Medicina recém formada em Santa Cruz. E não voltou. Casou com o "baixinho" de 1,96m. Nasceram minha mãe e os tios, as tias.

A família lá tem muitas curiosidades e é muito grande. Sempre muitos filhos, netos, bisnetos. Não conheci meu vô, vítima de um enfarto fulminante no coração em 1982, no exato dia que a mãe completou 18 anos. A fatalidade serviu para marcar ainda mais o vínculo da mãe e meu com essa região e com os nossos parentes de lá. Os Môr, como falam com o sotaque alemão, interagiram com diversas famílias e a se ramificou. Em muitos descendentes já não há mais o nosso sobrenome. Tudo bem, coisas da vida, dos nomes, das escolhas. 

E por escolha, minha decisão é ser dessa turma aí que reencontrei agora, neste mágico final de semana, 10 anos depois. Estive lá no fim de março de 2000. Por qualquer dessas coisas do acaso e da saúde, visitamos meu bisavô Edo Mohr, com seus 82 anos recém feitos. Em 1° de abril ele morreu. Partiu dele e da bisa Trula os laços de incrível solidariedade que eu vi entre todas as famílias da nossa árvore.

Eu tinha 13 anos, estava na oitava série. Agora voltei com 23, concluindo o jornalismo, militante do PSOL; depois destes 10 anos intensos de adolescência e início da fase adulta. Eu devia ter 1,70 ou menos. Agora 1,85m. O espanto geral ficou por conta do mano.

Meu irmão, Samir, que não ia desde o natal de 1998 foi um mundo de descobertas. Não lembrava de ninguém, por óbvio. Só lembrava de uma nega maluca. Era uma mini criança e voltou um homem com 1,92m.

Pra resumir o fado a cada abraço, cada história, cada lembrança, cada cerveja, cada garfada e a cada gargalhada resgatamos um porto seguro das nossas vidas. Sempre que der mesmo, volto "para casa" recarregar as baterias.

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