terça-feira, 5 de outubro de 2010

Re-volta

Depois de muitos dias distante devido às eleições retorno ao blog. Volto de novo. Já o abandonei tantas vezes nas andanças por aí. Sou mais dado ao mundo do que a escrever sobre ele. Já vi que que gosto mais de viver do que de escrever. 

Quero deixar alguma coisa registrada.

A primeira são os três anos do blog JornalismoB (jornalismob.wordpress.com || @jornalismoB) editado pelo amigo e jornalista Alexandre Haubrich. Exercício livre de crítica de mídia o blog nasceu nas salas de aula da UFRGS e já tomou a rede. Alçou o caminho do impresso, no qual tenho muito orgulho de colaborar quase sempre, e no twitter é sensação. Haubrich dá palestras e entrevistas sobre a vida de blogueiro, tuiteiro e jornalista acima da média. Deixo aqui meus parabéns, a indicação de leitura e desejo de longa vida ao JornalismoB.

A segunda coisa é a eleição em si. Lutamos muito. Fizemos muita campanha. Não tivemos medida da força da ideologia do consenso entre as classes, entre os interesses antagônicos. Vivemos num país de pleno desenvolvimento capitalista. Há um pacto fundido por Lula entre o capital financeiro, o agronegócio, os industriários, empreiteiros, a burocracia sindical, movimentos sociais e as principais entidades estudantis. O país vive uma onda de prosperidade midiática. A televisão trata de encantar o sofrido dia a dia. A vida segue difícil no Brasil real. Falta emprego para toda a gente, falta esgoto e água encanada em muito lugar, falta dignidade em todo o lado. No lado dos ricos a vida segue ótima. Dinheiro no bolso e calmaria no ânimo de luta dos de baixo. Os daqui de baixo tão felizes com a Copa, com a Olímpiada e com as maravilhas que vemos na televisão. E também não existe comparação. Os últimos oito anos, de fato, foram melhores que os oito que os antecederam. O povo comparou com o que conhecia e votou como o pragmatismo econômico manda. Plínio e o PSOL trataram de apontar o futuro, a necessidade de mudanças estruturantes. Digo o óbvio: não há desenvolvimento capitalista sem concentração de renda e crescimento da miséria. Não há capacidade de distribuição de renda completa na economia de mercado, não há possibilidade de consumo para todos, ou seja, seguirão pessoas com fome, com frio, sem casa, sem terra, analfabetas, jogadas à sorte e ao descaso. E isso nós não deixaremos de dizer que tem nome e responsável.

Nessa maré lulista o PSOL cresceu. Dois senadores (PA e AP), três deputados federais (2 no RJ e 1 em SP), quatro deputados estaduais (2 no RJ, 1 em SP e 1 no PA) e 15% dos votos para o governo do DF.

Duas derrotas, entretanto, marcam o cenário. Disputando o Senado, Heloísa Helena não resistiu "às máquinas eleitorais de moer gente" em Alagoas. A derrota dela foi operada pelo próprio Lula em aliança com Collor, Lessa, Vilela, Lira e Calheiros. Acredite quem quiser e puder. Despontou com mais de 50% das intenções de voto e terminou com metade dos votos de Calheiros, segundo colocado.

E aqui no RS o coeficiente eleitoral impediu Luciana Genro de conquistar o terceiro mandato de Deputada Federal, mesmo fazendo quase 130 mil votos e sendo a oitava mais votada. Faltaram 14 mil votos. Tem muitos motivos para isso, mas tenho uma convicção de que, no mínimo, uns 20 mil eleitores de Luciana em 2006 (quando fez 185 mil votos) migraram para outros candidatos por crerem que ela já estava eleita. 

Enfim, menos de 24 horas depois já apontamos um novo caminho. Precisamos que os eleitores e apoiadores de Luciana Genro e do PSOL nos ajudem a seguir em frente, a seguirmos crescendo. Precisamos que mais gente se filie ao PSOL, que fortaleça nossa legenda, para que na próxima eleição não fique o gosto amargo da derrota. Não é a primeira vez que perdemos. A esquerda sofreu derrotas mais duras e avançou. Quatro, seis, oito anos são pouco para os nossos desafios. Já limpamos as espadas da última luta, estamos de curativos nas feridas e prontos para as próximas batalhas. Não cansamos de lembrar: PSOL é partido de ano inteiro, não começou e nem termina na eleição. 

5 comentários:

gabriel disse...

Nossa luta é cotidiana camarada! Temos muito que fazer, todos juntos, braços dados ou não. Continue escrevendo, mas mais do que tudo, vivendo!

Sayuri D. K. disse...

Ninguém disse que seria fácil. Continuamos ainda mais convictos de que a luta é necessária e urgente. Vamos lá, que agora começa uma nova fase para o Estado e temos que estar afiadíssimos. Teremos que ser mais políticos do que nunca. Não basta atacar, é preciso construir e pode contar comigo! Beijos da Say.

D disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
D disse...

Bom balanço Rodolfo!
Abraços e até a proxima reitoria! :-)
Didi

Nathália Bittencurt disse...

Éizae!