domingo, 31 de janeiro de 2010

42 pontos que reelegeram Evo Morales

Extraído do site do PSOL-SP (http://www.psolsp.org.br/capital/?p=1020) texto e foto de Vinicius Mansur, militante do PSOL e corresponde do jornal Brasil de Fato em La Paz. Excelente texto. Um exemplo que o Brasil de longe não conseguiu se aproximar.

Viva a Bolívia! Viva a ALBA! Rumo ao Socialismo do Século XXI!

Macroeconomia

1) Depois de 66 anos de permanente defcit fiscal, a Bolívia alcançou superavit fiscal em todos os anos de gestão Morales. Em 2006, 4,5%; em 2007, 1,7%; em 2008, 3,2%; e, em 2009, 0,1%.

2) O PIB per capita subiu de 1.010 dólares, em 2005, para 1.651 dólares em 2008. De acordo com o FMI, em 2009, a Bolívia foi o país que apresentou a maior taxa de crescimento do PIB em toda a América Latina (3,2%).

3) A inflação em 2009 foi de 0,26%, a mais baixa em 45 anos.

4) As reservas internacionais subiram de 1,7 bilhão de dólares, em 2005, para mais de 8,5 bilhões de dólares em 2009.

5) Os depósitos bancários em moeda estrangeira na Bolívia diminuíram de 84%, em 2005, para 53% em 2009, valorizando a moeda nacional, o peso boliviano.

6) A arrecadação tributária subiu de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 10 bilhões.

7) Com a nacionalização dos hidrocarbonetos, a arrecadação do Estado subiu de 2,4 bilhões de dólares para 8,5 bilhões de dólares.

8 ) A dívida externa caiu de 4,9 bilhões de dólares, em 2005, para 2,5 bilhões de dólares em 2009.

9) Em 2005, o crescimento da dívida interna era de 14,2%, e em 2009 foi de 5,6%.

10) Em 2005, o investimento em mineração era de 393 milhões de dólares, sendo 6,1 milhões de dólares do setor público e 387 milhões de dólares do privado. Em 2009, os investimentos chegaram a 1,285 bilhão de dólares, sendo 101 milhões de dólares do setor público (crescimento de 1.555%) e 1,185 bilhão de dólares do setor privado (crescimento de 207%).

11) Em 2005, a arrecadação de impostos com a mineração era de 56 milhões de dólares. Depois da nacionalização, em 2009, esse valor subiu para 439 milhões de dólares.

12) As exportações de 2002 a 2005 somaram 1,9 bilhão de dólares. De 2006 a 2009, alcançaram 5,2 bilhões de dólares.

13) A balança comercial de 2002 a 2005 foi de 95 milhões de dólares positivos. De 2006 a 2009, 1,5 bilhão de dólares positivo.

14) Em 2005, o investimento público foi de 629 milhões de dólares, em 2009 atingiu 1,4 bilhão de dólares.

Trabalho

15 ) De 2002 a 2005, o incremento real do salário mínimo foi de 10 pesos bolivianos. De 2006 a 2009, de 247 pesos bolivianos.

16) De 2002 a 2005, foram gerados 228 mil empregos. De 2006 a 2008, 413 mil.

17) Em 2005, 38 cooperativas foram registradas. Em 2009, 170.

18) De 2002 a 2005, 649 sindicatos foram reconhecidos. De 2006 a 2009, 1.298.

19) De 2002 a 2005, o aumento salarial na saúde e educação foi de 15,3%. De 2006 a 2009, 37%.

Educação

20) A evasão escolar, nível fundamental, era de 5,3% em 2005. Com a criação da bolsa “Juancito Pinto”, dada aos estudantes do ensino fundamental público, no valor de 200 pesos bolivianos (pouco mais de R$ 50) mensais, este índice caiu, em 2009, para 2%.

21) De 2002 a 2005, 117 unidades educativas foram construídas. De 2006 a 2009, 1.611.

22) De 2002 a 2005, nenhuma instituição pública de nível superior foi criada. De 2006 a 2009, foram quatro: Universidade Policial Antonio José de Sucre, em La Paz; Universidade Indígena Aymara Túpac Katari, em Warisata (La Paz); Universidade Indígena Quechua Casimiro Huanca, em Chimoré (Cochabamba); e Universidade Indígena Guaraní de Terras Baixas Apiaguaiki Tüpa, em Kuruyuki (Chuquisaca).

23) De 2002 a 2005, nenhum telecentro foi construído. De 2006 a 2009, 177.

24) O analfabetismo foi erradicado na Bolívia, com cooperação do governo de Cuba.

Saúde

25) Foram feitas 444.429 operações, realizadas gratuitamente por médicos cubanos, para devolver ou melhorar a vista das pessoas.

26) Em 2005, o Sistema Público de Saúde fez 13,5 milhões de atendimentos. Em 2009, 16 milhões.

27) De 2003 a 2005, 29 ambulâncias foram entregues. De 2006 a 2009, 798 ambulâncias.

28) Até 2005, só havia 15 equipamentos para hemodiálise em toda Bolívia. Em 2009, eram 65.

29) O índice de incidência do mal de chagas diminuiu de 67% para 5%.

Campo

30) Em 2005, 106.886 hectares de terra eram identificados como devolutas e aptas a realização da reforma agrária. Em 2009, elas somaram 13 milhões de hectares.

31) De 1996 a 2005, 9,321 milhões de hectares de terra boliviana foram tituladas. De 2006 a 2009, 31,181 milhões de hectares.

32) De 2006 a 2009, 449.959 hectares foram expropriados e revertidos para reforma agrária.

33) Antes da gestão Morales, o trabalho de identificação, regularização e reversão de terras era feito por serviços terceirizados, agora quem o faz é o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Inra). Com os serviços privatizados, o custo médio de saneamento de um hectare de terra era de 10 dólares; hoje custa, em média, 1 dólar.

32) De 2000 a 2005, 223 tratores foram entregues. De 2006 a 2009, 2.066.

33) Criação das empresas estatais para apoio à produção agrícola: Emapa (alimentos), Papelbol (papel), Cartonbol (embalagens), Lacteosbol (laticínios), Azucarbol (açúcar) e EBA (amêndoa). O Estado também criou a Acebol (cimento).

34) Pela primeira vez na história da República boliviana, indígenas guaranis foram libertados do trabalho escravo. Foram 150 famílias, indenizadas em 1,2 milhão de pesos bolivianos (cerca de R$ 315 mil).

Energia

35) Em 2005, 33% da área rural tinha cobertura de serviço elétrico. Em 2009, 47%.

36) Mais de 650 mil famílias foram beneficiadas pela Tarifa Dignidade, que dá descontos de até 25% nas contas de energia a pequenos consumidores. Desde o início da Tarifa Dignidade, em 2006, o povo boliviano economizou cerca de 150 milhões de pesos bolivianos (quase R$ 40 milhões).

37) A distribuição de mais de 8,5 milhões de lâmpadas fluorescentes para cerca de 1,3 milhão de famílias diminuiu o consumo de energia elétrica na Bolívia em 123 megawatts, gerando, em média, uma economia mensal de 34 pesos bolivianos (pouco menos de R$ 10) para cada família.

Outros

38) Em dezembro de 2009, três de cada dez bolivianos receberam alguma bolsa social. Nesse ano, a bolsa Juancito Pinto chegou a 1,7 milhão de estudantes do ensino fundamental. A bolsa Juana Azurduy – que chega a quase R$ 480 em um período de 33 meses – foi paga para mais de 340 mil grávidas e crianças de até 2 anos. A Renda Dignidade – cerca de R$ 50 mensais – chegou a mais de 770 mil idosos.

39) De 2002 a 2006, 2.137 casas populares foram entregues. De 2006 a 2009, foram 13 mil casas, estando outras 20 mil em construção e mais 10 mil com financiamento já garantido.

40) De 2002 a 2005, 452 km de estradas foram construídos. De 2006 a 2009, foram 956 km. Todos os pedágios foram estatizados.

41) Em 2005, a cobertura do serviço de telecomunicações alcançava 32,53% do território. Em 2009, após a reestatização da empresa Entel, 60% do território tem cobertura.

42) Criação do Ministério de Transparência e Luta contra a Corrupção. Da posição número 180 no ranking de países menos corruptos, a Bolívia passou a ocupar a posição 103.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A volta para casa

Amanhã, retorno a Porto Alegre.

As férias aqui no Rio foram maravilhosas. Revigorantes. Baterias recarregadas.

Assisti dois filmes hoje que pretendo comentar quando já estiver sofrendo com o calor portoalegrense. PS Eu te Amo e Jogos de Poder. Filmes bem distintos. Cada um ao seu jeito. Me fizeram pensar em duas coisas que eu valorizo muito.

A política e o amor.

Para fugir dos lugares comuns não vou escrever de sopetão.

Vou digerir melhor as reflexões.

Recomendo os dois.

A vida recomeça mesmo na segunda, quando começar o FSM 2010 em uma das suas muitas sedes desse ano, Porto Alegre e sua região metropolitana.

Deixarei aqui algumas sugestões de atividades.

Me despeço do Rio mais leve. Literalmente. Mais feliz e com mais coisas decididas e já transformadas.

O blog está sendo atualizado seguido. O twitter tem sido um site de boas risadas.

Estou em dívida aqui sobre a questão do Haiti. Resolvo tudo quando chegar em casa.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na USP, triunfo da política da esquerda combativa e democrática

por Nathalie Drummond, Thiago Aguiar e Bárbara Vallejos*

A chapa “Para Transformar o Tédio em Melodia”, composta por militantes do MES-PSOL, Consulta Popular e independentes, venceu as eleições para o DCE da USP. Em eleições com o maior quórum da história da entidade, nossa chapa teve 2500 votos, seguida das chapas “Reconquista” – da direita antigreve, antimovimento estudantil, pró-reitoria e pró-Serra – com 2445 votos e, bem atrás, a então gestão “Nada Será Como Antes”, do PSTU, com 1868 votos, e “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, do PCB, com 1602 votos.

Os ataques de 2009 e a falta de democracia

O ano de 2009 ficará marcado na história da maior Universidade brasileira. A USP e a sociedade paulista assistiram, estarrecidos, aos insólitos acontecimentos de junho, quando a Polícia Militar, a mando de José Serra e da reitora Suely Vilela, pela primeira vez em décadas, invadiu o campus universitário e reprimiu brutalmente uma manifestação pacífica. Contra a política de precarização da educação pública, há muito levada adiante pelos governos do PSDB – expressa pelo programa UNIVESP (que pretende formar professores para a rede estadual através do ensino à distância) –, os ataques à carreira docente e a repressão à organização sindical, estudantes, professores e funcionários da USP mobilizaram-se em torno da necessidade de mais democracia na Universidade.

A intervenção da militância do PSOL na USP foi decisiva no questionamento às arbitrariedades do governo paulista, que pretende fazer vergar todos os que se coloquem à frente das pretensões presidenciais de Serra. A partir da politização cotidiana e da aposta na construção política ampla com o conjunto de estudantes, impulsionamos a campanha dos blusas-amarelas, exigindo a saída da reitora Suely Vilela. No segundo semestre, a falta de democracia ficou ainda mais clara na escolha para o reitor da Universidade. A partir da indignação da comunidade universitária, debatemos a necessidade da democratização e da realização de eleições diretas para reitor. Em um processo evidentemente antidemocrático, foi escolhido João Grandino Rodas – mentor da entrada da PM no campus e segundo colocado em uma lista elaborada pela cúpula universitária.

Mesmo em tal cenário de indignação no qual se conseguiu, em alguns momentos, aglutinar uma parcela importante de estudantes, a mobilização ao longo do ano restringiu-se aos setores organizados da vanguarda do Movimento Estudantil. A relativa apatia e desmobilização, especialmente durante o segundo semestre, deve-se à política do PSTU, cujo centro de intervenção à frente do DCE foi a construção de sua entidade nacional e não o estímulo a que crescesse a mobilização estudantil a partir da politização do sentimento de indignação frente à entrada da PM e a falta de democracia na universidade. De outro lado, optaram por servir de linha auxiliar ao Sindicato dos Trabalhadores da USP que, embora combativo, nunca esteve disposto a dialogar com as consciências dos estudantes, mas sim a fazer com que os estudantes sejam, a todo custo, linha auxiliar da política sindical.

Frente à falta de alternativa ampla de mobilização, a direita ganha espaço na USP

Apesar dos ataques à Universidade e ao movimento social organizado e da indignação que causaram, o sentimento conservador manifestou-se com força nas eleições para o DCE. Apoiada pelo establishment direitista universitário, a chapa “Reconquista” entrou na disputa afirmando-se a opção apartidária, que lutaria por “segurança, autonomia e liberdade”. Com discurso contrário à mobilização estudantil e apoiando o regime universitário e suas escolhas ao longo de 2009, na realidade, esse grupo confunde-se com os setores mais reacionários da sociedade paulista. Não à toa, recebeu apoio do jornal Estadão em sua cobertura e de outros órgãos de imprensa. A vitória desse setor, em uma conjuntura dificílima para a esquerda e, em especial, numa Universidade cuja direção manifesta fidelidade canina aos interesses tucanos, significaria uma enorme derrota para o Movimento Estudantil e para seu histórico de décadas de luta em defesa da educação pública de qualidade, além de um reforço de peso para a campanha de Serra e do PSDB na elitizada USP.

Uma política aparelhista e afastada dos estudantes é incapaz de oferecer respostas

O PSTU, que até então dirigia o DCE da USP, mostrou a serviço de que está sua política e foi, ao longo desse processo, fragorosamente derrotado. Ao longo do ano, fez a opção sectária de buscar, a todo o momento, a construção de (sua) pretensa nova entidade nacional. Partindo do diagnóstico correto dos limites e contradições da UNE, autoproclamou-se a vanguarda nacional dos estudantes capaz de contrapor-se ao governismo com a ANEL – um novo aparelho que nasceu tão hegemonizado quanto a UNE. Na realidade, essa política dividiu e desarmou uma série de lutadores, já que o grande desafio da esquerda no Movimento Estudantil é ganhar as consciências de milhares de estudantes para um projeto conseqüente e radical de transformação. Ao optar por colocar o DCE da USP a serviço da construção de seu aparelho e pela discussão exclusiva com a vanguarda, o PSTU virou as costas ao conjunto de estudantes da USP e abriu espaço para que a política silenciosa e rasteira da direita ganhasse fôlego entre os estudantes. Tais escolhas custaram caro aos companheiros e servem de lição a todos os lutadores do movimento social. Seis meses após sua criação, já não há – na verdade, nunca houve – o que se chamar de ANEL além da militância de juventude do PSTU. A política aparelhista do PSTU não foi apenas derrotada no DCE da USP, mas na UFMG e na UERJ entre outras universidades.

O papel que cumpre a UNE e os limites da política governista

Fica claro que também o governismo não é uma saída. Com uma participação menos que medíocre nas eleições e agora sob suspeita de corrupção na condução da UNE, leva uma política que anestesia os estudantes e que foi incapaz de oferecer qualquer resposta ao processo de fortalecimento da direita tradicional nas eleições para o DCE mais importante do Brasil. A única forma de disputar setores de massas com uma política de esquerda é a partir de bandeiras reais que respondam às necessidades estabelecidas. Somente assim, abrem-se as possibilidades de fazê-los avançar, de combater o governismo e, também, de abrir fissuras de disputa na UNE.

O rechaço que um amplo setor de estudantes da USP deu à política da direita é a mostra de que o acúmulo de mais de 30 anos de lutas estudantis, do qual a UNE é fruto, segue presente em sua memória. O esvaziamento político desse setor e a vitória que tivemos contra a direita deixam claro que é possível fazer um contundente enfrentamento pela esquerda à política dos governos sem recorrer à afirmação de aparelhos artificiais deslocados da disputa real das consciências dos estudantes.

Lições que a disputa da USP deixa à militância socialista

A vitória no DCE da USP, conquistada voto a voto, com muito sacrifício militante, deixa algumas lições à esquerda combativa. A direita segue fortalecendo-se e numa preocupante ofensiva mesmo nos mais tradicionais redutos do pensamento e militância política de esquerda. Infelizmente, os frágeis aparelhos, os gritos autoproclamatórios e o conforto da (minúscula) vanguarda não são suficientes para derrotar o poder da mídia e a política ladina e golpista da direita, representada, na USP, pela “Reconquista”. É necessário buscar agrupar amplos setores e fazer avançar uma política de massas. Na USP, mostramos tal ser possível, buscando o contato e construção – cotidianos e não eleitoreiros – com os ativistas dos cursos e diretores de Centros Acadêmicos em torno de bandeiras claras que canalizaram a indignação com a falta de democracia e a corrupção do regime universitário. Foi necessária muita ousadia e militância para estar ao lado de um setor estudantil de massas, uma vanguarda ampla que procura uma outra saída para além dos pretensos aparelhos de luta e da política direitista que rechaça a organização coletiva e a mobilização.

Nossa construção política ao longo de 2009 na USP e as eleições que vencemos também permitem iluminar o importante debate que, nesse momento, se dá no seio da militância socialista brasileira comprometida com a construção, que fortemente apoiamos, de uma nova central sindical. Está claro que a necessária unidade entre trabalhadores e estudantes só será obtida quando uma política combativa e de esquerda conseguir aglutinar, em torno de si, a partir de bandeiras reais, massas estudantis comprometidas com a transformação da sociedade. A USP deixa a todos um importante alerta: a política aparelhista levada a cabo pelos companheiros do PSTU em torno da chamada ANEL desmobilizou os estudantes, afastou-os dos trabalhadores, abriu espaço para a reação da direita e conduziu-os a uma grande derrota. A pretendida formação de uma nova central dos trabalhadores que agrupe agora estudantes é uma invenção desse setor e não tem nada a ver com a realidade. Organizar os estudantes, derrotar politicamente a direita e o governismo, canalizando a indignação de amplos setores, é o que melhor pode fazer o Movimento Estudantil para aliar-se aos trabalhadores em luta contra a retirada de direitos e os ataques dos patrões. A importante campanha pelo “Fora Yeda”, no Rio Grande do Sul, parece-nos exemplar nesse sentido.

O árduo e importante esforço que fizemos demonstra que é possível vencer mesmo numa conjuntura adversa. A tarefa que agora assumimos é a de fazer avançar o sentimento democrático, anticorrupção e contrário à política de direita a que responderam os estudantes da USP. Assim, abre-se espaço para que o PSOL pleiteie sua influência política entre amplos setores da USP. Isso significa que é fundamental o intercâmbio de nossa experiência com as experiências de outros camaradas do partido na busca da unificação de uma política estudantil do PSOL. Nosso partido, além disso, deve tomar nosso triunfo no DCE mais importante do Brasil como um triunfo de todo o PSOL! É fundamental que nossos companheiros tomem conhecimento do difícil processo que aqui vivemos e da aguerrida resposta que teve nossa militância. Através de nossos parlamentares e de todas as tribunas que ocupamos, será necessário, mais do que nunca, o apoio de nosso partido nas lutas que virão. Se o presente é de luta, o futuro é da gente!


Nathalie Drummond é estudante de Geografia e militante do MES/PSOL – USP

Thiago Aguiar é estudante de Ciências Sociais e militante do MES/PSOL - USP

Bárbara Vallejos é estudante de Ciências Sociais e militante do MES/PSOL - USP

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sobre os nossos planos

- e os teus planos?

- que planos?

De fato, ela não costumava planejar nada.

Ele, perplexo, não entendia como alguém podia não prever alguma coisa que estava prestes a acontecer.

- Não gosto.

Eram duas emoções. A primeira de imaginar cada passo, detalhe, frase, olhar, sorriso tímido ou largo, o toque sutil ou profundo. A segunda de ver cada passo, cada detalhe, cada frase, cada olhar, cada sorriso ou toque imaginado indo por água abaixo. Ou se completando de outra forma. Vez ou outra as frases encaixavam. Reafirmava a certeza de que devia usar a imaginação antes. De que devia flutuar durante. E de que devia reviver cada momento no próximo instante possível.

Tudo para entender e reviver aquele medo que impediu o avanço.
Aquela ânsia que invadiu o espaço antes da hora.
Aquela angústia de que tudo ia tão mais devagar que parecia que não ia acontecer.
A frustração do até logo decidido.
A alegria do território conquistado. Do vácuo preenchido.

Ele não entendia porque ela não gostava de planejar nada.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

São remotas as possibilidades do PSOL apoiar a candidatura de Marina Silva

Por Luciana Genro, Martiniano Cavalcanti e Roberto Robaina*

Desde quando o PSOL votou realizar negociações com o PV explorando as possibilidades de apoio à candidatura de Marina Silva, temos trabalhado seriamente para que as divergências e convergências entre os dois partidos sejam bem identificadas e permitam uma definição clara e correta acerca da necessidade ou não, da justiça ou não, de tal aliança para o país e para os trabalhadores. Partimos nesta busca de uma premissa que reivindicamos totalmente e não abandonamos jamais: no pleito de 2010 o Brasil necessita de uma candidatura independente que seja um contraponto à polarização conservadora do PSDB e do PT. E até aqui insistimos para que Marina Silva assuma este papel. Em parte isso é definido pelo programa, pelo perfil político e pelo conjunto dos aliados que sua candidatura envolve.

Infelizmente, apesar de nossos reais e sinceros esforços, está ficando claro que não teremos uma base programática capaz de unir nossas forças nestas eleições. Na carta que dirigimos ao PV, o PSOL colocou como seu principal ponto de negociação a necessidade de que a candidatura Marina fosse expressão justamente de uma política independente, capaz de enfrentar a polarização conservadora entre PSDB e PT. Uma forma objetiva básica com o qual buscamos materializar a candidatura independente foi com a defesa de que os candidatos ao governo nos estados não estivessem aliados nem com o PT/PMDB nem com o PSDB/DEM. Ou seja, os candidatos aos governos tinham que expressar a independência em relação às forças de dominação do grande capital. As negociações estavam em curso. A direção do PV respondeu à carta da Executiva Nacional do PSOL declarando-se de acordo com este critério, que foi o primeiro item do PSOL. Na carta do PV, uma carta muito educada e mostrando disposição de negociação, tinha vários pontos com o qual não concordávamos, mas este ponto era claro e positivo. Dizia claramente estar a favor de candidaturas independentes em todos os estados.

Pois no dia de ontem a notícia da Folha de SP é que Gabeira será candidato ao governo pelo PV em aliança com o PSDB e com DEM. Para ser fiel ao texto, citamos: "Apontado como o candidato ideal do governador José Serra (PSDB) ao governo do Rio de Janeiro, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) admitiu ontem a possibilidade de entrar na disputa estadual. Em reunião com tucanos do Estado, Gabeira condicionou sua candidatura à consolidação de uma aliança entre PSDB e PV do Rio. "Se todos se sentirem confortáveis, eu topo", disse o deputado à Folha. A operação conta com o aval da pré-candidata do PV, Marina Silva (AC). Grife da sigla, Gabeira ameaçava desistir até do Senado se o partido insistisse no lançamento de uma chapa "puro-sangue" no Estado. A candidatura de Gabeira é crucial para Serra por oferecer um palanque forte ao PSDB no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país.”.

Bem, mais claro impossível. No dia de hoje novamente a notícia foi dada, sem desmentido algum. Assim, caso esta posição se mantenha, estaremos de fato caminhando para o encerramento das negociações entre o PSOL e o PV. Como já dissemos em outras oportunidades, a independência em relação aos projetos capitalistas representados pelo PSDB e pelo PT é uma condição da qual não abrimos mão. Não vamos, portanto, abrir mão do primeiro ponto que apresentamos nas negociações, ponto, aliás, com o qual o PV declarou estar de acordo. Este acordo declarado do PV possibilitou que as negociações entre PV e PSOL continuassem. Por sua vez, a confirmação da aliança de Gabeira no Rio de Janeiro, certamente, as encerraria na prática. Não contestamos que tal aliança torna a candidatura de Gabeira forte no Rio de Janeiro. Mas uma força a serviço do capital e dos tucanos.

O principio fundamental para que a aliança ao redor do nome de Marina fosse concretizada é a viabilização mínima de uma política independente dos dois blocos de poder do capital, um contraponto à polarização conservadora. Mas se no terceiro colégio eleitoral do país o PV é abertamente instrumentalizado pelos tucanos na disputa, então a independência está sepultada. Tal aliança no RJ é o símbolo deste sepultamento. Consideramos uma clara derrota que Marina não se converta em candidata independente, mas a realidade está caminhando claramente para confirmar esta derrota. Perdem os que querem uma nova política. Perde o país.

Informamos, é claro, a nossa presidente, a camarada Heloísa Helena, nossa preocupação e reflexão, que refletem a elaboração coletiva de nossas correntes. Heloísa Helena sabe muito bem conduzir este momento e temos total confiança em sua condução partidária. A reunião da Executiva Nacional do PSOL será realizada no próximo dia 21 e presidida por ela. Teremos aí a oportunidade para conversar e definir nossos rumos com toda a direção partidária. Em particular, estaremos com nossos camaradas da APS com o qual temos trabalhado juntos até aqui e com certeza seguiremos trabalhando.


Luciana Genro é Deputada Federal do PSOL - RS

Martiniano Cavalcanti é Presidente do PSOL - GO

Roberto Robaina é Presidente do PSOL - RS

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Las películas... tenemos que terminálas.

Mesmo que às cegas. Assim termina Abraços Partidos - Los Abrazos Rotos - o último filme do Almodóvar.

É uma história interessante. Porém, não me agarrou como os outros filmes que tinha visto dele.

Gostei do protagonista Lluis Homar. Sua dupla personalidade entre Mateo e Harry não chega a ser grandes coisas, mas ele interpretando um cego foi muito bem, já que é muito difícil não exagerar na cegueira ou não parecer um cego que às vezes vê.

José Luís Gomes que faz o repugnante, corrupto, agressor-de-mulheres e empresário Ernest Martel é bom justamente porque gera asco em quem assiste.


E a Penelópe Cruz é a Penelópe Cruz. Almodóvar não erra nunca com ela. São imbatíveis como dupla. Secretária, boa filha, acompanhante, mulher do empresário rico, amante do diretor, rolando na escada, engessada, de peruca, vestida e nua. Todas essas coisas ela faz e faz bem.

O Abraços Partidos foi a sessão das 21h40, na sala 5, do Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo.

Antes disso, às 17h, na sala 1 do mesmo cinema, assiste o novíssimo Sherlock Holmes de Guy Ritchie. É hilário, envolvente, genial e paranóico.

A cabeça de Sherlock Holmes é uma insuportavelmente perspicaz e paranóica. Nada lhe escapa. Enlouquece o dono e agrada ao público. "Os detalhes é que são o mais importante" definiu aquele que dá nome ao filme.

Sem ler nada, sempre tive a idéia de um detetive meio molenga, super inteligente, mas não um brigador. Pois o ainda jovem Holmes, com aparentemente quase 40, talvez início de seus 40 anos, briga muito. E bate pensando em cada golpe. As duas cenas de briga em que segundos antes aparece ele arquitetando os golpes infalíveis são ótimas.

E o caro Watson é muito bom também. É quem faz o melhor de Holmes aparecer sem ser apenas uma sombra. Uma dupla perfeita. Numa Londres um pouco mais obscura e fascinante. Robert Downey Jr. e Jude Law estão de parabéns. O ruim foi a hora eu que eu dei leves cochiladas segundos antes do clímax. Ainda bem que acordei. Os filmes temos que terminá-los, mesmo que dormindo.






Quem quiser uma crítica do filme entre em www.sherlockholmesbrasil.com.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Faleceu Daniel Bensaid


Hoje recebemos a triste notícia do falecimento do camarada Daniel Bensaid, gravemente doente havia vários meses. Nos últimos tempos militantes, Daniel foi uma personalidade fundamental para formar o Novo Partido Anticapitalista na França com o qual o PSOL está construindo e quer seguir construindo uma intensa colaboração.

Nós que assinamos esta nota, como outros militantes do PSOL, o conhecemos há tempos; compartilhamos com ele um caminho e um compromisso comum gestado em anos de luta e militância pelo socialismo.

Bensaid se fez militante revolucionário desde sua adolescência, fundou em 1966 a Juventude Comunista Revolucionária. Foi um dos atores principais do grande movimento francês que sacudiu o mundo, o de Maio de 68. Comprometido com todos os combates internacionalistas, foi igualmente um dos principais dirigentes da LCR e da IV Internacional. Como militante foi autor de uma ampla e extensa obra que inclui mais de 30 livros em francês. Sendo professor da Universidade de Paris não se deixou levar pela conhecida arrogância academicista; combinou durante toda sua vida a teoria com a prática.

Nesta hora em que vivemos, repleta de dificuldades para as classes exploradas e oprimidas, sentimos a perda de um grande combatente. Mas se manterão conosco sua obra e sua história militante. Quando alguém importante se vai, a melhor homenagem, o melhor memorial que se pode fazer, é usar esta obra e esta história aprendendo com elas. Daniel descanse em paz. Tua obra foi “intempestiva” e viverá não somente na militância do NPA, mas também na do PSOL e de muitos abnegados militantes, que espalhados pelo planeta resistimos e lutamos por este novo mundo socialista.

Heloísa Helena, Presidente do PSOL

Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais

Perto Demais

A correria do dia a dia me tirou várias coisas boas. Uma delas é ir no cinema ou ver um filme em casa mesmo.

Na raridade das vezes que estou à frente da TV buscando alguma coisa pra ver, nada me atrai a ponto de ficar duas horas uma história.

Pois, hoje, o filme imã desses últimos anos passou de novo. Eu dormi duas horas e meia antes do filme, vendo TV. Acordei exatamente na hora que começou. Aproveitei o primeiro intervalo pra acordar melhor.

Daí em diante passou como um segundo.

Que filme incrível. O elenco sensacional. O inglês londrino. O jeito da Nathalie Portman. Ela é a liga do filme. O imã. O que vale pagar 10 vezes para assistir. O Clive Owen também.

Engraçado que quando vi a primeira vez, em 2005, tive uma certa repulsa pela personagem dele. Hoje, achei o cara sensacional.

O diretor Mike Nichols é um cara que veio do teatro e, segundo leituras pela internet, o cara não tinha emplacado no cinema. Por mim já pode se aposentar. Acertou em cheio.

O filme passou voando. Os diálogos diretos, rápidos, insensíveis, precisos, ríspidos e cheios de charme me fizeram ganhar a noite.

Assistam sempre que puderem.








segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Coisa Antiga

Voltando do banho de mar de hoje de manhã, na Praia Vermelha, lembrei de uma estrofe que eu fiz um tempo atrás e não sei se publiquei em algum lugar. Acho que já é chegada hora.

O teu cheiro voltou a estar presente
Como há muito não estava
Ainda lembro do jeito que me perdia
do cheiro que de ti brotava

domingo, 10 de janeiro de 2010

Resistência Hondurenha emite seu 44° comunicado

COMUNICADO No. 44

El Frente Nacional de Resistencia Popular comunica:

1. La Resistencia hondureña inicia el año 2010 en pie de lucha contra la dictadura, rechazando las maniobras que la oligarquía realiza para lavarse la cara a través de un falso proceso de transición de poder de Micheletti hacia Lobo, que dejará intacto el sistema de dominio del Estado por parte de una minoría privilegiada de grandes empresarios corruptos, empresas transnacionales y militares y policías represores.

2. Hacemos ver que la dictadura se apresta al retiro del Estado de Honduras de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América - Tratado Comercial de los Pueblos (ALBA-TCP), que desde su firma el 9 de octubre de 2008 ha beneficiado a los sectores populares de nuestro país y ha mostrado que es posible un nuevo tipo de relaciones solidarias entre pueblos y gobiernos, para beneficiar a los pobres y propiciar la verdadera integración de la gran patria latinoamericana.

El inminente retiro del ALBA-TCP evidencia que el golpe de estado fue realizado para detener las urgentes transformaciones estructurales de la sociedad y mandar un mensaje a los otros pueblos latinoamericanos que construyen proyectos de nación alternativos y progresistas.

3. Repudiamos las medidas económicas impulsadas por la oligarquía en contra del pueblo y denunciamos su intención descarada de destruir las conquistas sociales que han costado tanto a los sectores populares organizados. Se han aumentado las tarifas del agua, los precios de la canasta básica, se han vaciado las reservas internacionales y los ahorros de empresas estatales como la ENEE u Hondutel, se modificó la fórmula para calcular el precio de los combustibles en función de beneficiar a las grandes compañías transnacionales y constantemente se realizan contratos para favorecer a los empresarios implicados en el golpe de estado. De la misma manera, se tiene planificado otras medidas como la reducción real del salario mínimo, la derogación del estatuto del docente, la cancelación de la matrícula escolar gratuita, la devaluación del lempira, la privatización de las empresas nacionales y los fondos de pensión de los empleados públicos, entre otros.

4. Denunciamos a la comunidad internacional el estado represivo en el que vive la sociedad hondureña y que se ha agudizado desde finales del año pasado con el aumento de asesinatos, persecución y exilio de compañeros y compañeras. Hacemos un llamado a los organismos internacionales de derechos humanos para que aumenten la presión sobre el régimen de facto.

5. Rechazamos los planes de la dictadura de aprobar una amnistía con la que se perdonarían a sí mismos por los crímenes de lesa humanidad cometidos desde la ejecución del golpe de estado. Recordamos que tales crímenes no prescriben y que tarde o temprano los responsables tendrán que pagar ante la justicia.

6. Mantenemos nuestra exigencia de retornar al orden institucional y de instalar la Asamblea Nacional Constituyente democrática y popular, de acuerdo al derecho soberano del pueblo de definir la sociedad en la que vive.

¡Resistimos y Venceremos!

Tegucigalpa, M.D.C. 7 de enero de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

do que tenho visto


  • Bóris Casoy é uma vergonha! Finalmente há a oportunidade de punir um 'jornalista' preconceituoso, nojento, lacaio a serviço da elite. A Band é que não vai deixar o áudio vazar nunca mais. Ou talvez o Bóris é que vaze. http://terratv.terra.com.br/especiais/noticias/4416-265633/sindicato-dos-garis-quer-mobilizar-pais-contra-boris.htm
  • Os militares querem esperar todos os torturadores morrerem no conforto de seus lares sem serem importunados. A hora é de acelerar o trem da justiça. Se fosse olho por olho, dente por dente, faltariam carrascos com a brutalidade dos milicos brasileiros, talvez buscassem algum na Argentina. O Jornal Nacional especula inclusive tentativa de "censura" na nova Lei dos Direitos Humanos. É mesmo um absurdo. Como a Globo pode ser furtada do direito de violar os DDHH em rede nacional? Isso não se faz. Tirar a liberdade da imprensa de enxovalhar garis, pobres, mendigos, pobres e tudo que pra eles não presta é uma 'censura' implacável.
  • Falando na Globo, ela vai tentar emplacar o DÉCIMO Big Brother. E acho que vai conseguir. Como essa porra ainda tem tanto público? Chega uma hora que enche o saco.
  • Arruda está muito na frente na disputa pelo maior CARA DE PAU de 2010, depois de vencer o LADRÃO 2009. Vai ser difícil alguém chegar aos pés do safado-governador mesmo em ano eleitoral. http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1187480-7823-ARRUDA+PEDE+PERDAO+PELOS+SEUS+PECADOS,00.html
  • O planeta não perdoa o fracasso da COP15. No Brasil a tragédia é sem precedentes. Vários estados com cidades em estado de calamidade pública e de emergência. Vamos salvar o planeta ou vamos salvar o sistema?



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Promotoria hondurenha pede detenção de militares que expulsaram Zelaya

Retirado do site G1 no link

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1437478-5602,00-PROMOTORIA+HONDURENHA+PEDE+DETENCAO+DE+MILITARES+QUE+EXPULSARAM+ZELAYA.html










06/01/10 - 21h49 - Atualizado em 06/01/10 - 21h53


Promotoria hondurenha pede detenção de militares que expulsaram Zelaya

Leis de Honduras proíbem a expatriação de nacionais.
Presidente deposto foi expulso após golpe de junho de 2009.

Do G1, com agências

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O Ministério Público de Honduras iniciou nesta quarta-feira (6) um processo contra os principais militares que expulsaram do país o presidente deposto Manuel Zelaya durante o golpe de Estado que o tirou do poder em junho do ano passado.

A Junta de Comandantes das Forças Armadas do país, incluindo seu chefe, o general Romeo Vásquez, são sujeitos de um "requerimento fiscal" apresentado pela promotoria à Corte Suprema de Justiça sob acusação de abuso de autoridade e violação de direitos individuais, disse a chefe dos promotores, Danelia Ferrera.

Zelaya foi deposto em um golpe militar em 28 de junho e expulso para a Costa Rica, apesar de a Constituição hondurenha proibir a expatriação. O golpe aconteceu quando Zelaya tentava fazer um referendo que abriria caminho para sua reeleição presidencial, mas que havia sido proibido por um juiz.


"O requerimento foi apresentado porque as leis de Honduras proíbem a expatriação de nacionais, e a ordem que os militares receberam foi de prendê-lo e apresentá-lo aos tribunais", disse Ferrera por telefone.


Zelaya está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde que voltou clandestinamente a Honduras em setembro para tentar reassumir o poder. Centenas de soldados e policiais cercam a sede diplomática com ordem de prendê-lo.

O presidente de facto do país da América Central, Roberto Micheletti, que assumiu o poder após a expulsão de Zelaya, disse que enviar o mandatário para fora do país foi um "erro" e que atuaria legalmente contra os responsáveis, apesar de ter defendido o golpe.

O Ministério Público pediu a prisão preventiva dos altos militares. O porta-voz das Forças Armadas, coronel Ramiro Archaga, disse que os militares "se apresentarão à autoridade para responder sobre o requerimento e proceder à defesa como todo cidadão".

Comissão da verdade

Um dia antes do anúncio do Ministério Público, os Estados Unidos sugeriram que o país monte um governo de unidade e uma comissão da verdade para investigar o golpe, sugerindo que a retomada da ajuda financeira norte-americana pode depender dessas condições.

Washington reconheceu o resultado da eleição presidencial de novembro, ao contrário da posição assumida por Brasil e outros governos regionais. Washington tem dito, no entanto, que a votação por si só não basta para resolver a crise, a pior das últimas décadas na América Central.

"Temos algumas decisões a tomar, em termos da natureza da nossa relação, da natureza da assistência no futuro", disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

O diplomata norte-americano Craig Kelly visita Honduras nesta semana para tentar convencer o presidente eleito Porfirio Lobo e o presidente deposto Manuel Zelaya a buscarem um acordo.

A economia de Honduras, que já sofria com a redução da demanda por exportações, em consequência da recessão global, foi ainda mais atingida depois que os EUA e outros governos cortaram a ajuda financeira, em retaliação pelo golpe, e empresas cancelaram investimentos devido à instabilidade política.

Lobo, que toma posse no dia 27, pediu aos líderes mundiais que retomem a ajuda, mas governos europeus e latino-americanos ainda relutam em aceitar um novo governo resultante de uma eleição organizada pelo governo de facto, que assumiu após o golpe.