segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Eu não quis ser político, necessitei fazer política"



A frase acima é do amigo e companheiro de PSOL que muito nos orgulha: Edilson Silva. Atualmente é Presidente do PSOL-PE, foi candidato a Governador em 2006, a Prefeito de Recife em 2008 e novamente disputa o governo pernambucano em 2010.

Apresento a entrevista para que os leitores do Rodomundo conheçam como é o PSOL em outros lugares do país, pela identificação com o conteúdo da entrevista e pela convivência escassa mas frutífera que tenho com Edilson por sermos da mesma tendência interna do PSOL, o Movimento Esquerda Socialista (MES).







JC ONLINE - Por que o sr. quis ser político?



EDILSON SILVA – Eu não quis ser político, eu tive necessidade de fazer política. Quando estudante secundarista, de 15 para 16 anos, precisei fazer política, fundando e presidindo grêmios, para defender os interesses dos estudantes mais pobres da escola pública, como era o meu caso. Para ter garantida à merenda escolar, por exemplo, tive que brigar contra interesses mesquinhos, tive que fazer política estudantil. Como trabalhador e sindicalista, tive que fazer política para defender os interesses de categorias e de classe. Fui sindicalista por mais de dez; tive que lutar junto com muitos outros para colocar direitos na Constituição de 1988 e depois para manter esses direitos lá, como fazemos até hoje. Para lutar contra o racismo que vitima a população negra, tive que fazer política no movimento negro. Em todas estas batalhas, do meu cotidiano de vida, sempre percebi a importância de articular a luta social, econômica, popular, ecológica, ideológica, com a disputa por espaços institucionais. Portanto, não sou um político por opção ou profissão, sou um militante e liderança de um partido político, de um projeto coletivo que busca ser a extensão, a materialização em organização política das demandas mais sentidas da maioria da população e estou candidato a serviço desta tarefa, esperando cumpri-la da forma mais digna possível.

O restante da entrevista feita pelo Jornal do Commércio Online está no Blog do Edilson e tu podes ler clicando aqui.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Caim, Saramago

"A sua primeira morada foi uma estreita caverna, em verdade mais cavidade que caverna, de tecto baixo, descoberta num afloramento rochoso ao norte do jardim do éden quando, desesperados, vagueavam à procura de um abrigo. Ali puderam, finalmente, defender-se da queimação brutal de um sol que em nada se parecia com aquela invariável benignidade de temperatura a que estavam habituados, constante de noite e de dia, e em qualquer época do ano. Abandonaram as grossas peles que os sufocavam de calor e mau cheiro, e regressaram à primeira nudez, mas, para proteger de agressões exteriores as partes delicadas do corpo, as que andam só mais ou menos resguardadas entre as pernas, inventaram, utilizando as peles mais finas e de pêlo mais curto, aquilo a que mais tarde virá a chamar-se saia, idêntica na forma tanto para as mulheres como para os homens. Nos primeiros dias, sem terem ao menos uma côdea para mastigar, passarem fome. O jardim do éden era ubérrimo em frutos, aliás não se encontrava lá outra coisa de proveito, até aqueles animais que, por natureza, deveriam alimentar-se de carne sangrenta, pois para carnívoros vieram ao mundo, haviam sido, por imposição divina, submetidos à mesma melancólica e insatisfatória dieta. O que não sabia era donde tinham vindo as peles que o senhor fizera aparecer com um simples estalar de dedos, com um prestidigitador. De animais eram, e grandes, mas vá lá saber-se quem os teria matado e esfolado, e onde. Casualmente, havia água por ali perto, porém não era mais que umr egato turvo, em nada parecido com o rio caudaloso que nascia no jardim do éden e depois se dividia em quatro braços, um que ia regar uma região onde se dizia que o ouro abundava e outro que rodeava a terra de cuche. Os dois restantes, por mais extraordinário que pareça aos leitores de hoje, foram logo baptizados com os nomes de tigre e eufrates."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Argentina aprova casamento homossexual

Já inicio explicando que o título desta postagem está errado. Nenhum país aprova ou desaprova o casamento gay. Ele é uma realidade acima da lei. Ou melhor, a lei ficou para trás. Portanto, o fato é que o Senado argentino equiparou a lei à sociedade. Não sem dor, não sem luta. Uma vitória apertada de 33 votos a favor e 27 contra. Ainda tiveram 3 abstenções. 

Movimentos pelos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais) e diversos partidos de esquerda permaneceram 15 horas em frente ao Senado, tempo que durou a sessão. A votação lembrou a da lei do divórcio na Argentina em 1987, segundo a Zero Hora, jornal gaúcho.

A Igreja Católica mais uma vez não escondeu que está na contramão da história. Alegou que o projeto era coisa do diabo, parte de uma guerra contra deus. Veja aqui

Deixo a carta de Pedro Almodóvar sobre o tema publicado no Página 12, jornal diário argentino.


Carta a los senadores de Salta


 Por Pedro Almodóvar *
Queridos amigos: El matrimonio homosexual no le hace mal a nadie, no le roba nada a nadie, sin embargo hace feliz a mucha gente y les proporciona la posibilidad de vivir de un modo honesto, pleno y coherente junto a la persona que aman. Es un derecho esencial en toda sociedad civilizada, de lo contrario se está marginando a muchas personas en virtud de su sexualidad.
Hablar de igualdad en este sentido no es un capricho de degenerados, la Declaración Universal de los Derechos Humanos afirma que todos somos iguales, con independencia de nuestro sexo, religión, condición social, idioma, raza, etc.
No hay que permitir que ideas sectarias, retrógradas, inmovilistas, sexistas e injustas impidan a una sociedad libre progresar.
Es mentira y ridículo clamar que el matrimonio homosexual supone un peligro para la familia. Al contrario, las familias homosexuales aseguran el futuro de la idea de familia y la enriquecen. No se puede imponer la familia biológica como único modelo familiar, o se está yendo contra la realidad. Si algo caracteriza a la familia contemporánea es su enorme variedad. He conocido familias con solo una madre, un solo padre, dos madres, dos padres, familias multiétnicas, familias en las que ningún progenitor es biológico. Familias cuyos miembros pertenecen a distintas lenguas y culturas, familias que en millones de casos no son católicas. Se quiera o no, esas familias existen y adoran a sus hijos, y los cuidan y los educan, tanto como cualquier familia biológica, porque están basadas en el amor y en la solidaridad humanas.
No estoy en condición de pedir nada a los señores del Senado argentino. Para aprobar la ley que permita los matrimonios homosexuales no apelo ni siquiera a su sentido de la justicia, sólo les pido que hagan caso de su sentido común. Es lo único que necesitan para votar afirmativamente.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

A primeira mão de Deus


Quando ocorreram os últimos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga os deuses tomaram a sensata decisão de não se dedicarem mais as competições esportivas. A bagunça era muito grande. Quem tinha mais poder de manipular resultados, quem podia elevar seus protegidos à idolatria popular e tantas outras querelas relacionadas fizeram Zeus decretar que os deuses podiam fazer guerras, destruir lavouras e provocar as mais diversas pragas na Terra, menos intervirem nas disputas esportivas. Assim se sucedeu por longos séculos.  

As Copas de 58 e 70 já haviam visto seu Rei em campo. Mas de acordo com a resolução do maior dos deuses a genialidade humana se tornou o centro das atenções. Dribles, ginga, malemolência, ritmo, precisão e categoria se tornaram itens recorrentes nos gramados de Copas do Mundo. Uns times com mais isso ou aquilo, outro com menos. Os que tinham menos inventaram o futebol força, muito admirado aqui por estas bandas meridionais. 

Sócrates não era Deus. Sequer filósofo. Mas, seu futebol era uma apologia à beleza. O “calcanhar de Sócrates” era o ponto fundamental de apoio do melhor time que o Brasil já teve. Ao menos na teoria. Que timaço. Comandado por Telê Santana. Num mesmo time estavam Falcão, Sócrates, Zico, Eder, Cerezo, entre outros. O Brasil triturou seus adversários na primeira fase. Dduas goleadas contra a Escócia e Nova Zelândia e uma vitória contra a duríssima URSS. Superou a Argentina, jogando um bolão. Mas, o timaço de Telê caiu no estádio Sarriá, com os famosos três gols do jogador italiano com nome de ator de cinema: Paolo Rossi.

A Itália de Rossi foi a campeã vencendo a Polônia nas semi, e a Alemanha na grande final. Que copa. Os deuses, novamente não se meteram. 


Doutor Sócrates

Tudo isso até  a Inglaterra declarar guerra à Argentina pela posse das Ilhas Malvinas. A agressão brutal sob a batuta do conservadorismo neoliberal de Margaret Tatcher. Entretanto, a soberania sobre o controle das Malvinas era mais do que geopolítica e seus desdobramentos. Era o orgulho nacional em campo. 

A Junta Militar que governava a Argentina, comandada por Jorge Rafael Videla, tentou se valer da defesa da disputa das Malvinas como forma de diminuir a tensão interna devido à repressão ostensiva, as torturas, perseguições, assassinatos, inflação, empobrecimento da população que gerava forte descontentamento dos militares. A Junta Militar conduziu o país ao desastre.

A Argentina foi derrotada. Precipitou-se o sentimento anti-imperialista. Precipitou-se o sentimento anti-ditadura. Os militares caíram. Ainda faltava reestabelecer o orgulho nacional. Nisso um mortal se metamorfoseou em Deus. Em Diós. Em D10S. Diego Armando Maradona tornou-se um mito no futebol. Sua perna esquerda fez mais pelo futebol que centenas de milhares de jogadores em todo a história. Está no G2 do futebol, ao lado de Pelé.
 La mano de Diós

Porém em 1986 no México ganhar a Copa era pouco. E o destino fez justiça pelos seus pés. Um gol inesquecível, driblando o time inglês quase inteiro não era suficiente. A vingança foi degustada friamente. A Mão de Deus rompeu a sina escrita por Zeus muitos séculos antes. Fundou-se a Igreja Maradoniana.  

Go home, English Team. Maradona foi ao paraíso. 

É verdade que depois foi ao inferno, com as drogas, com as brigas, com a inveja de outros dirigentes do futebol argentino. Alguns pensaram que ele terminaria por lá. Mas, Diego, voltou. Ele ainda é Deus, ao menos em território Argentino. E um Deus bem subversivo. Tem Che tatuado no braço e é amigo de Fidel Castro. Esteve no trem da Alba, junto com Chávez e Evo Morales. Está sempre com os pobres de seu país. 

E deus voltou a jogar em copas? Teve Maradona outros seguidores?

A escassez de discípulos esperou 24 anos. Na verdade ele nasceu em 1987. É filho dos anos 80. Agora será canonizado. Sim, falamos de Luis Suarez do Uruguai. Sua defesa sensacional contra Gana levou seu país a uma semifinal de Copa 40 anos depois. A segunda mão de Deus demorou menos que a primeira.

De alguma ou outra forma, estamos sempre retornando aos anos oitenta. Mania retrô. Até no futebol. 
Suarez em defesa espetacular contra Gana Foto: Reuters
 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Oposição vence eleição em Oaxaca, México

Para quem não sabe ou não lembra uma revolta popular sacudiu o estado de Oaxaca no sul do México. Criou-se lá, em fins de 2006, a Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca, experiência de autogoverno popular que enfrentou o poder constituído. 

As barricadas, o trabalho nas rádios, a luta do povo oaxequenho soou como um grito de liberdade no país conhecido por estar tão longe de Deus e tão perto dos EUA.

A mobilização foi massacrada pelo Exército. Jornalistas estrangeiros, como Brad Will, foram assassinados. O estado governado há 80 anos pelo direitista PRI - Partido Revolucionário Institucional.

Abaixo reproduzo notícia da jornalista Lúcia Rodrigues, da Caros Amigos, enviada especial a Oaxaca. Deixo aqui o link de uma matéria da AFP de hoje em que o PRI anuncia vitória nas eleições regionais. 


Oposição vence eleição em Oaxaca
Resultado oficial deve ser divulgado nesta quarta-feira, 07; com 87,37% das urnas apuradas, Gabino Cué segue a frente com 50,23% dos votos





O candidato a governador pela coalizao de oposicao de Oaxaca, Gabino Cué, venceu as eleicoes que ocorreram neste domingo, 04.Todas as pesquisas de boca de urna apontam a vitória oposicionista por uma larga diferenca. Com 87,37% das urnas apuradas até o momento, Gabino segue a frente com 50,23% dos votos. O candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), que governa o Estado há 80 anos, Eviel Pérez Magaña recebeu 41,83%.  





O comparecimento de 55,6% dos eleitores às urnas foi determinante para a vitória da oposicao. O percentual é considerado alto para os padroes mexicanos. No México o voto é facultativo e o PRI sempre se valeu do baixo comparecimento da populacao às urnas para ganhar as eleicoes. Mais tres partidos disputaram a eleicao. Juntos obtiveram em torno de 5% do total de votos, 3,23% dos oaxaquenhos anularam seu voto.





Gabino Cué assume o governo do Estado no dia 01 de dezembro. No discurso realizado em uma das principais pracas de Oaxaca, logo após a divulgacao das pesquisas de boca de urna, Cué afirmou para milhares de pessoas que sua administracao nao pode falhar. "Hoje é um dia histórico para Oaxaca. Os cidadaos disseram que nao queria mais continuar vivendo da mesma forma. A mudanca ocorreu, devemos estar em festa. Os protagonistas dessa vitória sao os homens e as mulheres e a melhor forma de agradecer é fazer um bom governo."





A coalizao que deu a vitória ao economista Gabino Cué é  formada por quatro partidos (dois de esquerda: Partido da Revolucao Democrática e Partido do Trabalho, um de centro: Convergencia e um de direita, Partido da Acao Nacional).





Os oaxaquenhos também escolheream 152 prefeitos e deputados estaduais, mas o Instituto Estatal Eleitoral de Oaxaca ainda nao divulgou os resultados. Além dos oaxaquenhos, eleitores de 13 Estados mexicanos também elegeram governadores neste domingo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A “Fera” que desafiou os militares


Saldanha não bateu continência para Médici



A década de 70 no Brasil tem duas datas marcantes. Uma é 21 de junho de 1970. A outra 13 de dezembro de 1968.

Sim, no fim do ano em que a rebelião da juventude foi a regra, os militares decretaram o AI-5. Iniciava o período mais sangrento e repressor da ditadura brasileira. Foram proibidas quaisquer reuniões, as prisões ocorriam sem justificativa aparente, o direito de defesa e a possibilidade de habeas corpus foram sacadas da população.

Os militares implementaram com todas as forças o Terror de Estado. O nível de hostilidade e medo que o país vivia foi contrabalançado pela forte máquina de propaganda do regime. E nisso chegamos ao 21 de junho de 1970. O Brasil conquistava pela terceira vez a Copa do Mundo, obtendo definitivamente a taça Jules Rimet, um feito único.

A conquista foi construída com a maior preparação que uma seleção de futebol havia recebido até então e com ufanismo exaltado. “Noventa milhões em ação/Pra Frente, Brasil/Salve a Seleção”. Era necessário que o medo fosse substituído pelo amor à pátria, que a tortura ficasse nos porões e as bandeiras nas janelas. “De repente é aquela corrente pra frente/Parece que todo o Brasil deu a mão/Todos ligados na mesma emoção/Juntos num só coração”. Será? Nossos corações não batiam no mesmo compasso. A União Nacional dos Estudantes amordaçada na clandestinidade, os partidos de esquerda e democráticos todos na ilegalidade, opositores do regime no exílio, censura na imprensa e nas artes. Chico Buarque sintetiza nesta música composta com seu parceiro Francis Hime. “Aqui na terra tão jogando futebol/Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll/Uns dias chove, noutros dias bate sol/Mas o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá preta”.

Vários brasileiros, desafiaram, pública e anonimamente a ditadura. Nos cárceres, nas fábricas, nas universidades, milhares foram calados, presos, mortos. Desafiar os militares era, antes de tudo, um ato de coragem que colocaria em risco a própria vida.

Duas figuras ilustres, porém, desafiaram a Ditadura, para além do campo meramente político. O Chico Buarque aí de cima, sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, cantou para o General Geisel: “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”. Contam que a moça não tinha todos os elepês e compactos de Chico. Outro ilustre que não aceitou desaforo foi o grande comandante do tricampeonato, João Saldanha.

Nunca um treinador foi tão importante, para alinhar um time com tantas estrelas. Saldanha, gaúcho, comunista, amigo dos amigos – da brilhante turma de Milton Temer, Mário Lago, Niemeyer, entre outros – era um gênio da bola. Tão genial que contestou o generalíssimo Médici, quando este queria impor Dario. Como ele não podia escalar os ministros, Médici não ia escalar sua seleção. Sua resposta, ousada e contundente, lhe custou o cargo de treinador de suas “feras”. Começa aí a dinastia Zagallo/Parreira, dois homens de confiança da família Teixeira/Havelange. O Camarada Saldanha não se dobrou. O time estava tão bem montado que o resto era o resto.

E a Seleção voou em campo como nunca. Era muita genialidade num time só. Era Pelé, era Jarzinho, era Gérson, era Félix, era Clodoaldo, era Rivelino, era Tostão, era Carlos Alberto Torres, era Everaldo. Os mexicanos não acreditavam no que viam. O Brasil empilhava gols: só na primeira fase foram oito – quatro contra a Tchecoslováquia, um contra a Inglaterra e três na Romênia. Segunda fase: mais gols e gols. Quatro contra Peru. Na semifinal, 3X1 contra o Uruguai do lendário goleiro Mazurkiewicz. Só faltou o gol de Pelé, depois do drible de corpo sensacional, colocou a bola fora.

E a final, contra Itália, não poderia ser diferente. Quatro. Mais quatro. Brasil quatro a um. Golaços de Pelé, Jairzinho, Gérson e Carlos Alberto.

A ditadura se utilizou do feito, sem dar os devidos méritos obviamente a seu ideólogo. Coisas da vida e do autoritarismo.


O Furacão da Copa fez gol em todos os jogos

1978 foi a versão em tango da tragédia brasileira. Um título mundial para calar um país em que a ditadura militar matou mais e com requintes de crueldade superiores. A Copa na Argentina foi mais uma tabela de Havelange com os ditadores. Contudo, ao contrário do Brasil de 1970, a conquista por parte da Argentina, teve efeito contraditório. As grandes concentrações populares nos festejos do título não tiveram um caráter de apoio à junta militar que governava o país. O povo se unia para comemorar e começava a ver uma saída contra o regime. Na cabeça dos milhares que saiam pelas ruas pela primeira vez em muitos anos estava a frase: “Kempes sí, milicos no”. Coisas de Copa.

Não se poderia concluir a recordação dos anos setenta sem falar da seleção que mais inovou. A Holanda de 1974/78 construiu um novo tipo de futebol, com suas táticas criativas e sincronizadas. O “Carrossel Holandês” trouxe ao mundo uma nova forma de ver e jogar futebol. Seria Rinus Mitchell, o comandante da Laranja Mecânica, um segundo Charles Miller? Coisas dos anos setenta.

Kempes parou o Carrossel em 1978