sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Juntos pelo Ensino Médio. Barrar o decreto de Tarso: queremos uma reforma para melhor

A Educação Pública gaúcha tem sérios problemas. Alta taxa de evasão, prepara muito pouco para o vestibular e o estudante enxerga o ensino médio mais como obrigação, do que com algo que tenha a ver com o seu futuro. Causa indignação o descaso de todos os governos até agora com a Educação. Baixos salários para os professores e funcionários, falta de perspectiva e valorização, muitas escolas com infraestrutura precária. Aproveitando-se desta situação, o governo Tarso Genro apresentou uma proposta de mudança total na educação do Ensino Médio. Em apenas 3 anos acabará o Ensino Médio como conhecemos e será totalmente trocado pelo Ensino Politécnico. Mas o que isso representa? Conheça 5 pontos que nos levam a ser contra essa reforma.


1 – ENSINO POLITÉCNICO: FÁBRICA DE MÃO-DE-OBRA BARATA

O ensino politécnico será uma mistura do ensino médio atual com o ensino técnico, um pouco de cada. Infelizmente, o estudante perde dos dois jeitos. Não será um técnico, especializado numa área, nem estará preparado para o vestibular.

Segundo a cartilha distribuída pela Secretaria da Educação (SEC), o governo avalia que o sistema educacional atual está dissociado do tempo social, cultural, econômico e dos avanços tecnológicos da informação e da comunicação”. Para resolver o problema, o governo quer “desenvolver um projeto educacional que atenda às necessidades do mercado”. Para isso, os currículos terão uma mescla das disciplinas atuais (português, matemática, história, etc) e tecnológicas.

Essas disciplinas tecnológicas são totalmente voltadas para a formação dos estudantes de acordo com as demandas produtivas da sua região. Pode parecer lógico, mas na verdade o currículo escolar será moldado pelos empresários da região, não mais pelos educadores, que estudaram muitos anos para serem professores. De acordo com a cartilha da SEC, os estudantes de Caxias do Sul, por exemplo, serão preparados para a indústria metalmecânica e automotiva, independente de sua vontade. Quem quiser outra profissão, sairá da escola com baixíssimos conhecimentos gerais e com algum conhecimento de metalmecânica, mesmo que nunca utilize para nada.

2 – UNIVERSIDADE PARA TODOS OU SÓ PARA ESTUDANTES DA ESCOLA PARTICULAR?

Veja como ficará a carga horária no ensino politécnico. No 1º ano, serão 75% de disciplinas atuais e 25% tecnológicas. No 2º ano, 50% a 50%. No 3º ano, apenas 25% de disciplinas atuais e 75% de tecnológicas. No terceiro ano do Ensino Médio, às vésperas do vestibular, o estudante terá apenas 1 período semanal de matemática, português, história, literatura, geografia, física, química, biologia, filosofia e sociologia. APENAS um período de cada matéria no ano do vestibular. O resto do tempo estarão dedicados às pesquisas e aos estágios curriculares obrigatórios, todos direcionados para a vontade dos empresários locais.

Hoje, já é difícil para um estudante da rede pública disputar uma vaga contra candidatos da escola particular. Tarso Genro tem a solução: se é difícil entrar numa faculdade, não perca tempo tentando. Infelizmente, o Ensino Politécnico praticamente extingue as possibilidades de ingresso na Universidade para estudantes da rede pública. No projeto do governo do estado, quem sai ganhando é a escola particular que seguirá preparando os estudantes para os cursos verdadeiramente de qualidade das Universidades.

3 – EDUCAÇÃO DE QUALIDADE NÃO SE FAZ POR DECRETO

O governo pretende acabar com o Ensino Médio e criar o Ensino Politécnico através de um decreto, já em dezembro de 2011. As escolas e os professores mal conhecem o projeto. Isso acarreta dois problemas: primeiro que a reforma do ensino médio será totalmente autoritária e sem debate democrático com a comunidade escolar. Segundo, as escolas não saberão aplicar as mudanças, pois não sabem como funcionará o ensino politécnico.

4 – ESTÁGIO OBRIGATÓRIO NÃO REMUNERADO E DESEMPREGO À VISTA

A verdadeira alegria dos empresários das regiões são os estágios curriculares obrigatórios para o estudante se formar no Ensino Médio. Seguindo o exemplo da cidade de Caxias do Sul., durante o Ensino Médio, as matérias foram direcionadas para o setor metalmecânico e automotivo. O estágio obrigatório será nas indústrias do setor. Esses estágios obrigatórios são necessários para se formar, mas não é obrigado ao empregador pagar ao estudante. Ou seja, todos os anos teremos milhares de estudantes obrigados a estagiar para se formar, em um único ramo econômico, na maioria das vezes gratuitamente. O impacto na cadeia produtiva pode levar a um aumento do índice de desemprego, diminuição de trabalhadores com carteira assinada, já que todo o ano novas levas de estudantes serão obrigados a estagiar para se formar. O inacreditável é que depois de formado será quase impossível conseguir emprego na área com salário digno, visto que a empresa terá a disposição novas levas de estudantes.

5 – ONDE ESTÁ A VERBA DA EDUCAÇÃO?

A Constituição do Rio Grande do Sul diz que 35% do orçamento do Estado deve ser investido em educação. Yeda nunca cumpriu e nunca foi punida. Tarso foi eleito e também não cumpriu. Além de melhorar o projeto pedagógico das escolas, elas precisam de fortes investimentos, para valorizar os professores e funcionários, além de equipar as escolas com livros novos, computadores modernos, materiais esportivos adequados e salas de aula mais apropriadas.

Infelizmente, ainda assistimos a muitos casos de corrupção e mal uso do dinheiro público. Para se ter ideia, o RS paga anualmente quase R$ 3 bilhões para o governo federal, referente à dívida estadual, que ninguém sabe do que é composta, e que quanto mais se paga, mais se deve. Você pagaria uma conta qualquer sem saber o que está pagando? Aceitaria uma dívida que quanto mais paga, mais se deve? Na verdade, a dívida estadual é um grande assalto aos cofres públicos.

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