sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fora Ricardo Teixeira chega em Porto Alegre

As denúncias contra Ricardo Teixeira, monarca da CBF há 20 anos, tomaram as redes sociais. 

No Twitter e no Facebook cresce o movimento dos descontentes contra o Presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa de 2014.

#ForaRicardoTeixeira já atingiu a incrível marca de 95 mil tuitadas em poucos dias. http://www.foraricardoteixeira.com.br/

Está marcado para o dia 13 de agosto manifestação pública em São Paulo. Já são mais de mil confirmados. https://www.facebook.com/event.php?eid=233426023358434

Aqui em Porto Alegre, jovens que participam do Juntos, movimento criado recentemente como forma de organizar atividades convocadas pelas redes sociais, começaram a convocatória para o primeiro ato de rua pelo Fora Ricardo Teixeira no Rio Grande do Sul. A jornada de manifestações começa no Rio de Janeiro, neste sábado, dia 30 de julho, durante o sorteio das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. 


Será dia 05 de agosto de 2011, das 12h às 14h, na Esquina Democrática, cruzamento da Borges de Medeiros com a Andradas. Em apenas 8 horas, já são mais de 150 confirmados e através do convite em rede, o evento já chegou em mais de 5 mil pessoas. 

Arte: Raka Matos


Este será um manifesto de todas as torcidas. Protestamos contra o poder absoluto de Teixeira na CBF, a falta de transparência na venda dos direitos televisivos do Brasileirão, as manobras obscuras contra adversários políticos, a falta de democracia na entidade que administra um dos maiores mercados do Brasil e com a paixão de milhões de brasileiros.

Queremos uma Copa que atenda aos interesses da população, transparência e ética no futebol brasileiro.

São tempos de Democracia Real mundo afora, chegou a hora da CBF.

Estão sendo convidados torcedores de todos os times, cidadãos contra a corrupção, jornalistas da crônica esportiva, conselheiros de Grêmio e Inter e personalidades em geral.
Quer ajudar? Só escrever no facebook www.facebook.com/rodolfo.mohr

#foraricardoteixeira
#caiforaricardoteixeira

10% do PIB para Educação: a primeira batalha da Oposição de Esquerda da UNE

Nathalie Drumond e Rodolfo Mohr*
Dentro de poucos dias a nova diretoria da UNE, eleita no último dia 17 em Goiânia, será empossada. A Oposição de Esquerda – a qual reúne diversos coletivos do movimento estudantil como o Juntos!, o Rompendo Amarras, Vamos à Luta, Contraponto, Levante, Viramundo, Rebele-se e nos quais se organizam os militantes da juventude do PSOL – assumirá neste novo mandato mais responsabilidades. Nossa bancada cresceu em delegados e em presença política. Pautamos o 52º Congresso da UNE com nossa firme posição contra o novo Código Florestal e tomando como exemplo a luta dos indignados espanhóis.
Conformamos uma chapa que obteve uma expressiva votação. Cerca de 20% dos delegados votaram por UNE livre e independente, que não seja meramente uma juventude do Planalto. A partir de então, queremos aumentar a fração da UNE que irá potencializar as lutas da juventude e da educação nas ruas de todo o Brasil. Para nós, essa disputa começa na luta pelos 10% do PIB para Educação.
10% PIB: um discurso consensual, duas práticas vigentes
Uma das votações consensuais no 52º Congresso da UNE foi a defesa dos 10% do PIB para Educação. Esta é uma bandeira histórica do movimento de educação no que diz respeito ao financiamento público. Lá se vão décadas em que as entidades e movimentos apresentam à sociedade e ao governo a necessidade de multiplicar o orçamento da Educação.
Os desafios são enormes: erradicação do analfabetismo, universalização com qualidade da educação básica, expansão imediata da Universidade Pública.
Mas como colocamos isso em prática? De um lado, a direção majoritária da UNE, ligada ao governismo, não tem a independência necessária para dar essa disputa. Estão atrelados ao projeto de Dilma, que compromete quase metade do orçamento da União ao pagamento de títulos da dívida pública aos banqueiros. É um verdadeiro escândalo. O “espetáculo do crescimento” tornou o “andar de cima” de nossa pirâmide ainda mais abastado, enquanto Dilma passou a tesoura em R$ 50 bilhões de reais das áreas sociais.
Está nas mãos da Oposição de Esquerda da UNE a possibilidade de encampar em todas as Universidades brasileiras esta disputa. Na paralisia da direção majoritária, temos que construir Calouradas e Jornadas de Luta em todos os estados. Neste semestre será votado o Orçamento da União de 2012, portanto temos uma disputa real a travar do em defesa dos 10% do PIB.
ANEL divide forças e fortalece a burocracia estudantil na UNE
O bloco de oposição de esquerda da UNE obteve o seu maior resultado desde 2003. Para falar em números, faltaram apenas 12 votos para conquistar a Secretaria Geral da União Nacional dos Estudantes.
Para os milhares de estudantes presentes no Congresso houve uma voz destoante que ousou romper a apatia e o imobilismo. Fomos uma bancada com mais 1200 jovens contra o Código (Anti)Florestal do ex-presidente da UNE Aldo Rebelo, por plebiscito popular em defesa dos 10% do PIB para a Educação e por uma UNE radicalmente democrática, sem rabo preso e à serviço dos interesses da maioria dos estudantes. A oposição de esquerda unificada deu uma grande demonstração em Goiânia da força da juventude indignada do Brasil.
Ao romper com a UNE e privilegiando uma política isolacionista e auto-proclamatória, a juventude do PSTU divide forças no movimento estudantil. E ao construir a ANEL fortaleceu a UJS como maioria na UNE. Imaginem se os cerca de mil estudantes do Congresso da ANEL estivessem, na verdade, somando forças à bancada de oposição de esquerda neste último Conune. A voz da juventude indignada teria, com certeza, ecoado muito mais forte e estaríamos perto de alterar a correlação de forças dentro da UNE.
Acreditamos que a juventude do PSTU e aqueles que acreditam na ANEL como alternativa possam ainda rever sua posição e voltar a travar grandes e vitoriosas batalhas junto à oposição de esquerda nos Congressos da UNE. O 52º Conune mostrou que a unidade da oposição fez valer a máxima de nossos colegas espanhóis: “se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”. E assim seguiremos, pois juntos somos mais fortes.
Uma grande jornada em agosto que prepare o 15 de outubro
Após a vitoriosa intervenção da Oposição de Esquerda no 52º Congresso da UNE, temos um importante calendário de mobilizações a cumprir. Além de um plebiscito popular, a campanha pelos 10% do PIB para Educação irá para as ruas na semana de 15 a 19 de agosto. Devemos articular entre todo o movimento estudantil e demais entidades, precisamos conectar a luta dos 10% com a necessidade real de cada cidade, escola e Universidade. Devemos materializar a campanha em questões concretas que nos conectem também ao novo momento que o mundo vive.
As mobilizações de rua estão diariamente no noticiário. Espanha, Grécia, Chile. As revoluções do norte da África. O ano de 2011 tem visto mobilizações se espalharem mundo afora. Aqui no Brasil, apesar de não estarmos no mesmo compasso, é necessário construir as pontes necessárias. Outro futuro está sendo disputado nas Praças do planeta.
Dia 15 de outubro é dia de acampamento de praças em todo mundo. A manifestação foi convocada pelo movimento Democracia Real Ya da Espanha. Neste dia se comemora o dia do professor no Brasil, nada melhor que unirmos nossas pautas e marcar a maior mobilização coletiva da história da juventude espalhada pelo mundo.

*Nathalie Drumond (diretora do DCE-Livre da USP) e Rodolfo Mohr (diretor do DCE da UFRGS) são militantes do Juntos!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Resposta da Azul

Essa é pra fidelizar a clientela. 


http://twitter.com/#!/azulinhasaereas/status/96308344180047872



A Azul é a melhor companhia aérea do Brasil

Depois desses dias de estrada e aeroporto volto para casa com mais um convicção: a Azul é a melhor companhia aérea do país, em qualidade e no custo-benefício.

Saí de São Paulo num confortável ônibus do Shopping Eldorado rumo ao aeroporto de Viracopos em Campinas. Absolutamente de graça. Ok, concordo que ele é pago pelo valor das tarifas, mas mesmo assim foi muito legal. Prometiam internet sem fio. Lutei o quanto pude e não consegui me conectar. Consegui me esticar e dormir profundamente. Ponto positivo.


Linhas aéreas terrestres


Em Campinas o check-in foi ultraveloz. Ok, cheguei com muitas horas de antecedência, já que devido ao ônibus de São Paulo não podia chegar muito em cima da hora. Enfim, check-in no balcão eletrônico, despacho da bagagem muito rápido e tudo certo. Segundo ponto positivo.

Pontualidade excepcional. Muito organizado e direto. 3X0.

Espaço na aeronave é como gol fora de casa. Vale em dobro. Estou num lugar comum confortavelmente instalado. Consegui abrir a tela do computador em um espaço digno, estou com as pernas totalmente esticadas. Vim de Webjet e voltei de Azul. A primeira é a companhia aérea que não reclina o banco um centímetro. Até aqui uma lavada de vantagens.

É a terceira vez que viajo pela Azul. Antes de começarem suas operações em dezembro de 2008 prometiam televisão exclusiva em todos os bancos. Nas duas primeiras vezes, janeiro e outubro de 2009 ficou só na promessa. Agora temos em boa resolução um monitor de umas, sei lá, 7 polegadas, numa distância razoável, com oito canais via Sky. Multishow, GNT, Sportv. Só canal bom. Mais o VH1 e dois de desenho. O oitavo canal é o flight map. Sensacional. A gente vê em que parte do mapa está o avião, altitude e velocidade. Estamos a 28590 pés, 516 milhas por hora e sobrevoando Caxias do Sul (isso me avisa que em breve vamos pousar). Ah, além de eu acreditar que o fone de ouvido que nos deram, além de muito honesto, é presente.

O lanche de avião sempre é uma frustração. Bebidinha mais ou menos, lanche minúsculo. Na Webjet é tudo pago. Até a água. Três reais por 300 mL. Mais caro que no Saara. Eles aqui não deram um copo de refrigerante, deram a lata toda. Quem tomou suquinho de pêssego pensou que tinha sido servido pela mamãe, adoraram. Eles oferecem ruffles com nome de batata frita azul, amendoim, mix de passas-amendoim-nozes, club social com nome de bolachinha da azul, bolacha recheada genérica da negresco e um lindo e recheado pacote de goiabinhas, estilo da bauducco, mas que na real é da parati. O cara come à vontade, fica satisfeitíssimo. Isso tudo curtindo uma tela ou um mapinha do Brasil. Para arrebatar, o tiro de misericórdia na concorrência. Vem o cafezinho azul. “Açúcar ou adoçante?” Sério, foi só alegria.

Quanto custou esse post inteiro de felicidade? Paguei R$ 136,00 em três vezes sem juros. Campinas a Porto Alegre, trecho único, sem promoção.

Parece que ainda vou ganhar 5% desse valor em créditos. Vai rolar R$ 6,80 de bônus. Se juntar R$ 50,00 já da para investir na próxima viagem, como desconto.

Tá na hora de desligar o computador e aterrissar.  

(Texto escrito durante o vôo na segunda, 25/07)

terça-feira, 26 de julho de 2011

52º Congresso da UNE: Juntos somos fortes

Foto: Guilherme Prado

Em alguns dias lançaremos um balanço mais global da intervenção do Juntos no 52º CONUNE. Por ora, algumas impressões.

A unidade da esquerda no Congresso foi fundamental. Vínhamos de dois anos de desconfianças e nenhuma intervenção nacional comum. Éramos uma federação de coletivos nacionais que aqui e acolá constituíam lutas regionais. Vejo como possível, além de obviamente necessário, que construamos uma intervenção nacional da Oposição de Esquerda da UNE. Queremos um verdadeiro Bloco de Esquerda. Que interaja e construa política nacional em conjunta. A nossa unidade dos indignados foi um ponto alto.

O Juntos foi a surpresa do Conune, alguns nos olhavam como se fôssemos a zebra. Fizemos um duro trabalho de enraizamento e expansão nas Universidades brasileiras. Ainda é o começo. O I Encontro Nacional do Juntos foi ao mesmo tempo, chegada e partida, como bem definiu o Israel Dutra. A conquista de três vagas na Executiva da UNE foi um triunfo para Oposição. Ao olhar desatento 3 cadeiras das 17 ne Executiva parece pouco. Ainda o é pela perspectiva de direção global da UNE. Mas avançamos um posto mais na nossa inserção e representatividade nacional. E o Juntos teve grande participação nesse crescimento, sendo o terceiro movimento mais votado da chapa da Oposição.

Os estudantes brasileiros que estão preocupados com a construção de um país mais justo socialmente não tem na diretoria da UNE a sua representação efetiva. Precisamos suar ainda mais a camiseta para diminuir esta distorção.

No mais, fica a sensação de um Congresso histórico. A marca mais significativa foi o momento de libertação feminista da bancada da Oposição de Esquerda. Mulheres e homens tiraram a camiseta juntos, em ação que nos iguala como agentes da transformação, sem anular nossas diferenças essenciais.

Deste Congresso da UNE saímos vigorosamente mais fortes e convencidos da necessidade do movimento estudantil ser parte da construção de um projeto de país. Não basta a especificidade de nossas faculdades. Elas só fazem sentido quando ligadas a um projeto global de educação e de país. Lutamos por mais professores, mais verba, mais técnico-administrativos, mais insumos, mais laboratórios e livros, novas e maiores bibliotecas, computadores e classes novas. Tudo isso porque acreditamos que a educação é emancipadora, eleva aos céus o pensamento crítico e transformador. A defesa da educação fora de um projeto de transformação é inócua e demagógica.

Bancada da Oposição Unificada Foto: Guilherme Prado

domingo, 24 de julho de 2011

I Encontro Nacional do Juntos – I ENJ

Com mais de uma semana de atraso posto aqui meus comentários sobre o I ENJ.

Não serei repetitivo no relato. Ele já está muito bem escrito pela Paola Rodrigues e pela Mariana Riscali no site do Juntos.

Vivemos um dos dias mais importantes da nossa história política. Cada um e cada uma presente não tinha ideia do que seria produzido nas palestras, nos grupos de discussão e na plenária final.


Foto: Taiane Fagundes




Quero pontuar algumas questões.

  • A presença, o relato e o conteúdo da fala do Sargento J. Félix, um dos 439 bombeiros presos do Rio de Janeiro pela ocupação do quartel central do Corpo de Bombeiros do Rio. Nos emocionou no Encontro e foi um dos nossos líderes, na festa no alojamento à noite. Animado, foi o puxador de nossa improvisada escola de samba e de outros tantos ritmos. Aqui você pode ler a mensagem dele ao Juntos;
  • Israel Dutra, querido amigo, foi capaz de, em apenas 18 minutos, expressar as raízes históricas que forjaram o presente. Apontou as contradições que se movem, que colocam aos povos a possibilidade de construir um novo futuro.
  • A mesa do Emancipa nos propiciou um momento de certezas. Nossa aposta vingou e cresceu. Estamos em expansão e nacionalização do nosso movimento social de Cursinhos Populares.
  • A mesa “Socialismo é liberdade: outro mundo é possível” inundou de energia revolucionária o nosso encontro.
  • A organização profissional do Encontro só pode ser assim chamada pela disposição militante de cada participante, que atendeu aos chamados e lotou todos os espaços.
  • O I ENJ só existiu porque é a expressão, ainda incipiente, dos novos tempos. A mudança que se passa no mundo no Brasil chegará primeiro pela mão da juventude, conectada e militante, sem emprego, sem educação, sem poder sair da casa dos pais, mas já também sem medo de ousar.
  • Um convite à ousadia e um desafio ao futuro: é o que resume para mim o mágico termino do I ENJ. Ao mesmo tempo sensível e refinado, ouvimos e falamos sobre como seremos a mudança que queremos para o mundo.



    Conheça o #Manifesto de Goiânia e o Grupo de Trabalho Nacional aprovados no Encontro.

terça-feira, 5 de julho de 2011

#Eblog, muito mais que virtual: Anticapitalista e libertário


Quem somos

O #Eblog é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomofobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas cotidianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela emancipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima e feita e vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal e sua liberdade formal e seus direitos abstratos.

Progressismo ou anticapitalismo?

O #Eblog não se propõe ser uma associação orgânica de “blogueir@s de oposição ao governo” (embora conosco possam atuar opositores/as de esquerda ao atual governo), ou uma associação jornalística extraoficial, mas um agrupamento de lutadores e lutadoras que, reunid@s numa frente de lutas comuns, pretende ocupar e resistir no caminho abandonado por forças outrora de esquerda.

A atual guinada liberal-conservadora do Governo Dilma, sob o argumento da “correlação de forças”, está acometendo parte da blogosfera que se coloca no campo de esquerda, e que, recentemente, assumiu para si o adjetivo “progressista”. Não negamos o fato de que a política também se faz no jogo de forças entre as classes sociais, na chamada “correlação de forças”, mas é preciso reconhecer o momento em que essa expressão se torna um argumento universal para se responder a qualquer questionamento e se esquivar de todas as críticas políticas. É preciso construir projetos políticos capazes de ir além da consolidação de burocracias e aparelhos, que acabam ficando pra trás do movimento das forças sociais vivas de resistência e luta em geral.

Propomos, pois, lutar por alternativas a essas práticas políticas, colocando-nos sempre à disposição de ações de luta unificadas em favor de bandeiras políticas emancipatórias em comum que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido, e sim de emancipações inadiáveis e urgentes.
  
Pontes e limites

Não abrimos mão da impaciência e do combate a atualconciliação/colaboração declasses da qual é cúmplice e conivente uma maioria dos que se dizem progressistas, que, por sua vez, instauram o silêncio sobre questões essenciais em nome de um pragmatismo que já perdeu toda razão de ser. Sem perder o senso prático, questionamos: qual a correlação de forças que justifica o ataque à reputação d@s blogueir@s que se propõem defender as causas emancipatórias de esquerda, às quais os “progressistas” sistematicamente e sintomaticamente se omitem e se calam, desviando o assunto e por vezes desqualificando debatedores/as?

As pontes tem limites, não aguentam todas as intempéries e hoje estão em obras, sem data para terminar e com orçamentos sigilosos. O macartismo, o senso de ombudsmanem defesa do Governo Dilma ou de Lula não é à toa, não é pessoal, não é só dos “blogueiros progressistas”: é comum em qualquer discussão com a maioria d@s apoiadores/as do atual governo. Infelizmente, isso não ocorre de modo isolado, pois tornou-se tática constante.

A coordenação dos autoproclamados “blogueiros progressistas” vem praticando um jornalismo tão vertical que até a forma de reagir às críticas tem seguido um corporativismo que remete às práticas da grande imprensa oligárquica. Telefonam uns para os outros e vão coordenando ataques de descrédito: deslegitimar a fonte, desviar a questão política para verdade/mentira, estabelecer o “fato” e a “verdade” como resultado de uma técnica específica, de certo efeito de discurso jornalístico. A campanha empreendida por alguns líderes do BlogProgcontra  Idelber Avelar, logo após o processo eleitoral de 2010, foi sintomática e exemplar nesse sentido, acabando por reproduzir o típico denuncismo da mídia oligarca sobre o “mensalão” - que, aliás, os mesmos “progressistas” criticam! A reação corporativista dos jornalistas do BlogProg às críticas políticas parece-nos entrar no mesmo modus operandi da grande imprensa - que dizem  combater, chamando-os de “Partido da imprensa Golpista - PIG” em função de constantes ataques, fruto do ódio de classe elitista, contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ou seja, agindo como verdadeiro “Partido da Imprensa Favorável - PIF”.

Dentre muit@s que participam dos Encontros dos Blogueiros Progressistas na esperança de construir uma alternativa, sabemos que nem tod@s adotam este posicionamento, mas entendemos também que acabam, de um modo ou outro, alinhad@s e/ou coniventes com as orientações políticas hegemônicas de sua direção. Para alguns destes “blogueiros progressistas” as dissidências e/ou a oposição de esquerda frente a linha política hegemônica (simpática ao atual governo) são tratadas como “esquerda que a direita gosta”, “psolismo”, “jogo da direita” ou “ultraesquerdismo”. Inclusive, alguns dos participantes das listas de discussão dos “progressistas” ou mesmo pelo Twitter, tratam a suas próprias dissidências com sufocamento por meio de ataques virulentos e desqualificadores.

Na realidade, percebemos que os “blogueiros progressistas” não constituem uma alternativa efetiva, mas uma mera luta de hegemonia contra a grande imprensa oligarca, enquanto proclamam ser os principais porta-vozes da democracia midiática. Esta luta acaba por cair em um maniqueísmo que em nada colabora politicamente, pelo contrário: tornam rasas as análises e, consequentemente, adotam posições políticas de apoio cada vez mais acríticas, cegas e fanáticas, sempre defendendo o legado de governos e pessoas, e não as bandeiras e programas socialistas. Assim, visam tornarem-se as principais referências políticas na blogosfera brasileira. Estas práticas tem levado muitos “blogueiros progressistas” a prestarem-se ao papel de correia de transmissão das políticas da máquina partidária do atual governo, diga-se, a mais bem acabada e incorporada à institucionalidade da democracia liberal de nosso país. Portanto, parece-nos que o sonho destes blogueiros tem sido tornarem-se uma “grande imprensa”, com um público enorme, com plateia de milhares e milhares, ao invés de radicalizar a democracia na produção midiática em sua cauda longa, ou seja, na práxis cotidiana, multitudinária e concreta das lutas.

Estamos falando de um grupo  de blogueiros que vem tentando construir uma certa hegemonia na blogosfera, tentando torná-la politicamente uniforme no apoio ao atual governo e adjetivando-a enquanto “militância progressista” e, por fim, ligando-a de forma indelével às políticas liberais-conservadoras deste novo petismo que vai se consolidando no e por meio do governo, que já não possui qualquer tintura de esquerda, e, por vezes pior, está ligado a um governismo pragmático que historicamente  faz política de mãos dadas com a direita oligárquica e rentista.

Contestamos, pois, esta prática de considerarem-se como “a blogosfera progressista” e não como parte de uma blogosfera política muito mais antiga, ampla, diversa e de rico potencial emancipatório.

Tendo em vista estas reflexões críticas, propomo-nos a lutar para criar e fomentar alternativas a este tipo de prática na blogosfera, colocando-nos sempre à disposição de ações unificadas em favor de bandeiras comuns que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido.

Governo Progressista?

Somente nos primeiros seis meses do Governo Dilma, o povo brasileiro foiderrotado sucessivas vezes, a começar pelas nomeações de liberais econservadores para os ministérios. Entre os exemplos mais gritantes, evidenciamos a posição do governo e sua “base aliada”: em defesa do salário mínimo de R$ 545,00 aprovado enquanto aprovaram salários de R$ 26.723,13 para os parlamentares;  anão aprovação do Projeto de Lei 122 e o kit antihomofobia (em nome da “governabilidade” com a bancada reacionária dos evangélicos, que integram a “Base Aliada”); o imobilismo em favor de um projeto de reforma agráriaa  aprovação do Código (des)Florestal para favorecer a expansão das fronteiras do agronegócio exportador; a privatização de vários dos principais aeroportos do país; a conivência e defesa da manutenção de um granderetrocesso na pauta culturalse colocando contra a liberdade na rede e ocompartilhamento livrerespondendo processos na Organização dos EstadosAmericanos - OEA por violações dos direitos humanos (em função da criminosa anistiaaos torturadores ao caso de Araguaia); e, principalmente, a repressão aos povosindígenas do Xingu com a finalidade de construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que favorecerá as oligarquias e a instalação de grandes transnacionais eletrointensivas na região.

Este é um governo cujoMinistro da Defesa atua diariamente contra os interesses nacionais, agindo como cúmplice dos EUA e parceiro de Israel, chegando ao ponto de anunciar ter “perdido” os documentos militares sobre a repressão da ditadura militar brasileira. Um governo que atropela os interesses populares ao continuar impondo a criminosa transposição das águas do rio São Francisco ignorando o diálogo com as populações atingidas, os impactos socioambientais envolvidos e as alternativas de convivência com o semiárido proposta pelo povo e sociedade civil organizada.

Este é um governo que atua lado a lado com o grande capital e as oligarquias em detrimento dos interesses da população, garantindo grandes volumes de verba às “UniEsquinas” sem qualquer garantia de qualidade no ensino (ao mesmo tempo em que não realiza qualquer investimento significativo em educação básica) ou às empresas de telecomunicação com um PNBL (PlanoNacional de Banda Largahojeapelidado de Plano Neoliberal de BandaLerdarisível, que não garante qualidade ou velocidade e, pior, ainda impõe umlimite absurdo aos dados durante a navegação. Além de financiar com dinheiro público, via BNDES, quase todos os megaempreendimentos privados e socioambientalmente impactantes das indústrias de papel e celulose, das eletrointensivas e das empresas do agronegócio, entre outros.

Este é um governo que se diz preocupado com os direitos humanos e que quer ser potência global, mas atua de modo imperialista em defesa dos interesses de seu capital monopolista nacional, com as empreiteiras, Petrobras, Vale, enquanto renunciaà política soberana e ativa, que Celso Amorim conquistou em termos de política externa, por uma aproximação torpe com os EUA - com direito a presos políticos na visita de Obama à cidade do Rio de Janeiro para silenciar a voz crítica da população. Que diz que irá priorizar a educação mas continua reduzindo o orçamento estrangulado, assim como faz com a saúde, enquanto o bolsa rentista semanalmente paga um programa bolsa família em dinheiro para os credores da dívida interna.

Este é o governo que atua com desenvoltura na condução, em parceria com governos estaduais e municipais, de uma políticadanosa para as populaçõesatingidas pelos mega eventosesportivos. As remoções no Rio de Janeiro são exemplo da implementação de um modelo de política urbana que despreza o direito à cidade e atende a uma lógicaprivatizante qualificada comoradicalmente danosa peloMinistério Público Federal. Exemplo disso é a cessão ao estado e ao município do Rio de Janeiro de imóveis públicos federais para repasse à iniciativa privada. Esta cessão não é para a criação de projetos de moradia, mas para uma “revitalização” da áreaPortuária que será cedida a um consórcio privado, atendendo às necessidades do mercado imobiliário especulativo. Este tipo de ação não é restrita ao estado e município do Rio de Janeiro, pois acontece com igual gravidade, por exemplo, em Fortaleza cuja prefeitura do PT utiliza os mesmos métodos adotados por Eduardo Paes (PMDB). Em várias cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, está em curso um violento processo de remoção, inclusive comandados por governos de “esquerda” que em nada se diferem de administrações tucanas que em São Paulo, por exemplo, agem violentamente contramoradores/as amedrontados/as pelas remoções em Itaquera, onde a favela do Metrôtambém é alvo desta política vil. Em quase todas as cidades que sediarão a Copa do Mundo, populações vulnerabilizadas tem sofrido com remoções forçadas que desrespeitam sua história e os laços criados com seus territórios de vida. 

Estes crimes são cometidos em nome de uma “imagem” do país no exterior, de um modelo de desenvolvimento que despreza tudo e tod@s em prol de números favoráveis para a propaganda governamental e eleitoral, ignorando inclusive acordos internacionais firmados com relação aos direitos humanos e ao meio ambiente. O resultado é o agravamento dos problemas socioambientais e o desrespeito às populações atingidas pelo avanço impiedoso de uma máquina que premia o capital e marginaliza a populaçãoque sofre com o processo de criminalização da pobreza por meio do avanço das forças de repressão travestidas de política de segurança, mas que trazem no fundo um terrível sentido de manutenção de uma vigilância feroz ao que foge do sonho de consumo das elites.

O que queremos e pelo que vamos lutar

Não é este o “desenvolvimento social” e o “crescimento econômico” que a esquerda anticapitalista  precisa reivindicar, e sim alternativas com base nas experiências e lutas populares que contemplem a reivindicação intransigente da reforma agrária, da democratização da comunicação, da justiça ambiental, da abertura dos arquivos da ditadura e da redução de jornada de trabalho, de uma sociedade mais justa e com plenos direitos para seu povo. As bandeiras devem progredir, não a paciência, pois só se avança resistindo e lutando.

Lutamos pela democratização da comunicação e da cultura, pela possibilidade de ampliação dos meios de vivência e produção midiática, por universidades públicas para tod@s, gratuita e de qualidade, bem como uma Educação básica que possa ser pilar para novas gerações, com salários dignos a noss@s professores/as; assim como também lutamos pela saúde pública de nosso povo, pelo direito a um meio ambiente produtivo e saudável, pela igualdade de raça, gênero e etnia. Para avançar em tudo isto, defendemos a auditoria cidadã das dívidas da União para viabilizar estes recursos.

Lutamos pela verdade das lutas, pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar e justiça como reparação às vítimas e à verdade sobre quem participou e corroborou com este regime, direta ou indiretamente, e, claro, todos os métodos autoritários, tão comuns no Brasil inclusive antes e depois dos anos de chumbo.

Lutamos para que se coloquem em marcha processos de empoderamento d@s sem-voz, d@s sem terra, d@s sem renda, d@s sem teto, d@s sem universidade, d@s sem internet, d@s despossuíd@s, d@s sem acesso à cultura, d@s sem educação de qualidade, e, principalmente, daqueles e daquelas sem a possibilidade de viver e produzir dignamente.

O Eblog convida tod@s que se identificam com estas lutas a se unirem conosco para organizar diversas blogagens coletivas, campanhas, encontros, oficinas, discussões, cobertura  e divulgação de lutas. É hora de nos organizarmos e avançarmos com as lutas históricas sem esperar que governos e partidos o façam por nós.

A partir do Eblog, defendemos a DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO como princípio, o que significa dizer que lutamos por: a) Um Plano Nacional de Banda Larga que universalize o acesso oferecendo internet de alta velocidade em regime público; b) A luta pela aprovação do Marco Civil da Internet que endosse a liberdade civil na rede; c) Um novo Marco Regulatório dos Meios de Comunicação (“Ley de Medios”) que ponha fim nos monopólios e oligopólios da comunicação brasileira. Paralelo a isso, estamos atent@s e somos combatentes nas lutas: d) pelo fortalecimento do Estado laicoe) pelo fim do machismo e do patriarcado com o fim da violência contra as mulheres e pela descriminalização do abortof) contra o racismog) contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122 sem nenhuma alteração que privilegie os interesses de grupos religiososh) contra todas as formas de discriminaçãoi) pela abertura dos arquivos da ditadura militar e pelapunição legal dos torturadores e cumprimento das decisões da Corte Interamericana de direitos Humanos (CIDH)j) pela justiça socioambiental e contra Belo Montel) contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociaism) por uma reforma agrária ampla e popularn) contra toda e qualquer forma de censura, na Internet ou fora dela;

Para não ficarmos apenas elencando lutas, estamos propondo uma blogagem coletiva pela DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO (que incluem os itens “a”, “b”e “c” das nossas lutas/bandeiras) para JÁ, de 7 a 10 de Julho de 2011. Está na hora de tod@s  arregaçarmos as mangas - blogueir@s progressistas, de esquerda, nerds, independentes, músic@s, escritores/as, jornalistas etc. - e somarmos esforços em torno das lutas que nos unificam.

Escreva seu texto pela democratização da comunicação e divulgue nas redes com a hashtag #DemoCom e não esqueça de “taguear” a postagem também como “blogagem coletiva pela democratização da comunicação” e “democom” entre os dias 7e 10 de Julho.

Se você concorda com nossos princípios (ou com a maioria deles), pode aderir e assinar esta nota publicando-a em seu blog e incluindo sua assinatura ao final. Temos identidade e temos lado, mas não queremos ficar restritos a guetos e nem apenas organizando encontros. Ousemos lutar!

Eblogs que assinam este documento:


Alexandre Haubrich - www.jornalismob.wordpress.com - Jornalismo B
Amanda Vieira - http://amanditas.wordpress.com/ - Nós
Bárbara de Castro Dias - http://eacritica.wordpress.com - Educação Ambiental Crítica
Bruno Cava - http://www.quadradodosloucos.com.br - Quadrado dos Loucos
Danilo Marques - http://www.dandi.blogspot.com - Inferno de Dandi
Gilson Moura Jr. - http://tranversaldotempo.blogspot.com/Transversal do Tempo
Givanildo Manoel - http://infanciaurgente.blogspot.com - Infância Urgente!!!
Israel Sassá Tupinambá - http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com - União Campo, Cidade e Floresta
Lucas Morais - http://www.diarioliberdade.org - Crítica Radical
Luciano Egidio Palagano - http://razaoaconta-gotas.blogspot.com/ - Razão à Conta-Gotas!
Luka http:www.bdbrasil.org - Bidê Brasil / A segunda luta
Mayara Melo - http://mayroses.wordpress.com/ - May Roses
Niara de Oliveira -  http://pimentacomlimao.wordpress.com - Pimenta com Limão
Paulo Piramba - http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com - Ecossocialismo ou Barbárie
Pedro Amaral - http://terezacomz.blogspot.com - TerezaComZ
Raphael Tsavkko - http://www.tsavkko.com.br - The Angry Brazilian / Defendei a casa de meu pai
Renata Lins - http://chopinhofeminino.blogspot.com/ - Chopinho Feminino
Rodolfo Mohr - http://rodomundo.juntos.org.br - Rodomundo
Sandro Ivo - http://noticiasfragmentos.wordpress.com - Fragmentos Ativos Notícias

Sérgio Domingues - http://pilulas-diarias.blogspot.com/ - Pilulas Diárias
Tiago Costa - http://tapesinmyhead.wordpress.com - Tapes in my Head






PS.: O texto é comum a todos, mas a formatação e as imagens eu copiei do EBlog http://tranversaldotempo.blogspot.com/