segunda-feira, 28 de maio de 2012

“Burro” e feminista, melhor que “inteligente” e machista



Ontem tivemos em Porto Alegre, e sábado em outros estados brasileiros, a Marcha das Vadias. A ideia nasceu de mulheres canadenses indignadas com a declaração de um policial, que atribuía os estupros da região às “mulheres que se vestiam como vadias”. A SlutWalk começou no Canadá e, através das redes sociais, ganhou o mundo. Ao contrário de 2011, quando poucas brasileiras fizeram a Marcha, foram milhares de pessoas em Brasília, Rio, São Paulo, aqui e outras cidades.

O tema foi notícia de jornais impressos, televisivos e programas de rádio. O Pretinho Básico, da Rádio Atlântida – parte do grupo RBS, programa que mistura humor, avacalhação e deturpamento de assuntos importantes da sociedade, protagonizou um episódio terrível hoje, na sua edição das 13h. Além da tradicional esculhambação, o âncora Alexandre Fetter encerrou o programa dizendo “Vão lavar louça. Como eu vou respeitar quem se autointitula de vadia?”. Às risadas, encerrou-se o programa.

Uma ouvinte, Nathália Bittencurt, que esteva na Marcha das Vadias de domingo foi a primeira pessoa que vi postar no facebook e no twitter, que admirava o radialista por toda uma trajetória, e que ele tinha tocado a admiração no lixo com essa piada sem graça.



De pronto, a hashtag #CalaBocaFetter se espalhou pela rede. Mesmo sem ser dos assuntos mais comentados do twitter obrigou Fetter a responder no twitter e na edição das 18h do programa. O assunto foi o centro da edição da noite. Foram obrigados a explicar a piada. Em meio a outras piadas patéticas afirmaram a legitimidade da Marcha das Vadias. Atribuíam aos ouvintes que os apoiavam serem inteligentes. Ainda me respondeu no twitter que, pela minha descrição, esperava que eu entendesse a piada.

Fizeram ainda um jogo de cena, uma campanha com a hastag #eulavolouça, como forma de desfazer a má impressão anterior. Quando a tag chegou ao primeiro lugar dos Tts Brasil, gritou Chupa, Vadias. Uma piada recorrente no rede social, o termo “chupa”, neste caso, tomou outra conotação. O radialista Fetter, que afirmou no mesmo programa saber a responsabilidade do microfone, estimulou uma nova hastag #chupavadias ao topo dos TTs Brasil. Todos os tuiteiros de fora do Rio Grande do Sul, perplexos, perguntavam-se o motivo da tag. Muitas pessoas postavam “para ajudar o pretinho básico a chegar nos TTs”, como se a tag fosse algo simplório e inofensivo. Tudo isso motivou outras tantas postagens de baixo calão, machistas, grosseiras e canalhas reafirmando o pior da postura agressiva e de posse dos homens sobre as mulheres. O centro da luta da marcha das vadias. Não vou citar nenhuma delas aqui. Sendo burro e feminista já entendi que repercutir o preconceito, mesmo em tom de piada ou de relato, só estimula o preconceito e a violência. Deixo para os trogloditas inteligentes da Rádio Atlântida este papel.



10 comentários:

Paola Rodrigues disse...

Praticar machismo com piadas é ou ser muito ingênuo ou conveniente com a situação das mulheres, que todos os dias são violentadas verbalmente e fisicamente. Prefiro acreditar na primeira opção, para ter ainda um pouco de esperança perante os homens. Muito bom o texto! É lindo ver um homem frente a essa luta, que não é só da mulheres. Precisamos mudar o mundo para ter uma sociedade mais democrática, justa, sem preconceitos e igualitária. s2

Mariana Gaida disse...

E esse é só mais um assunto importante que eles ridicularizam. Várias organizações e movimentos já foram ridicularizados pelo programa, inclusive o Movimento Escoteiro do qual faço parte há 13 anos. Desde esse episódio nunca mais ouvi o programa, mas apóio as ações e qualquer iniciativa pra terminar com essa proliferação de bobagem e preconceito!!

ogilson de almeida disse...

Meninos e meninas, que bom que de alguma forma (na pior delas),vocês estão se acordando para a baixa qualidade de programa que a Rádio Atlândida vem desenvolvendo nos últimos anos. Fui um ouvinte assíduo dessa rádio nos nos anos 80,90, ainda pegando por Sta Maria, já que na minha cidade não tinha. Outra época. Esses jovens apresentadores se acham muito inteligentes, ótimos críticos, com direito de falarem o que bem entenderem sobre qualquer coisa, ou alguém, achando que com isso, estão desempenhando um enorme benefício para a cultura desse Estado e para a sociedade. Infelizes... Mas quem sabe, o que eu acho muito difícil, a empresa que os emprega se manifeste de alguma forma, pois Essa, teria que ter compromisso com o grande público que a sustenta e lhe respeita.

Lorena Py disse...

Eu infelizmente ou felizmente não concordo com nada que está sendo afirmado nesse post. Acredito na seriedade no programa Pretinho Básico e, apesar das piadas, não acredito que sejam de mau gosto, Esse programa sai do comum e traz mais alegria e humor para os ouvintes, que alias devem estar cansados de tantas notícias ruins. Para mim, não é uma forma de ridicularização e sim uma brincadeira sadia que as vezes até eu me encaixo nelas, mas que levo na "esportiva" e não me incomoda em nada. O humor deve estar presente sempre e se não querem ouvir "bobagem" não ouçam esse programa em específico. É simples assim!

Nina Bulgakov disse...

Lorena, ou você é muito jovem ou é muito burra. Faça um favor para você mesma, leia mais e escute menos rádio. Você que deveria ser a maior interessada na luta pelos direitos das mulheres, a final de contas você é mulher, mostra-se uma completa alienada.

Lorena Py disse...

Nina, me manisfestei principalmente pelo fato de "baixarem o pau" no Pretinho básico. Não me referi em momento nenhum ao assunto "marcha das vadias" que aliás não estava a par do assunto. Porém, me informei sobre e acredito que seja uma causa louvável para nós, mulheres, porém com exceções. Não acredito no respeito ao próximo a pessoas que levantam cartazes em marchas com frases obscenas e "eróticas". É pra isso o meu respeito? Pelo amor de Deus, seja sensata, reveja os teus conceitos e depois vem criticar qualquer opinião minha, já que além de eu não ser burra, também não sou alienada e leio muito, coisa que realmente nem todas as pessoas fazem.

garotacocacola disse...

Rodo,

Fico muito satisfeita de ver que existem pessoas como você que conseguem pontuar esse tipo de assunto com tamanha clareza.
Acho lamentável a postura da empresa que patrocina um programa que emite tais declarações, principalmente em tom de brincadeira.
Acho que vou postar alguma coisa também quanod chegar em casa, vou ler mais sobre o que esse infeliz falou.
Parabéns pelo post.

Rodrigo Cosma - inumanus@hotmail.com disse...

"Lorena, ou você é muito jovem ou é muito burra." Bom, Nina, legal agredir a Lorena por expressar uma opinião, não é por isso que vocês ficaram brabas com o Fetter? Tratar com agressividade algo que vocês apóiam?

Guilherme Garcia Teixeira disse...

Eles deixaram bem claro ao final da discussão que estavam comentando de um jeito descontraído, no mesmo dia no programa das 18 horas eles fizeram ainda um contra-ponto da discussão. O maior problema está na definição usada para dar nome à marcha, por mais que seja justificável não é do conhecimento de todos. Além do mais é facil xingar quando se tem várias pessoas a seu favor, racionalizando negativamente o que é dito.

Guilherme Garcia Teixeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.