quarta-feira, 6 de março de 2013

Hasta siempre, comandante Chávez!


Estive com um Hugo Chávez uma única vez na existência. Durante a atividade dos 25 anos do MST no Fórum Social Mundial, realizado em Belém, no verão de 2009. Um dia de calor úmido, típico do verão amazônico.

Lembro muitíssimo bem. Tínhamos cerca de 50 companheiros e não mais que 20 entradas para a Conferência que contaria com a presença de Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo e Hugo Chávez. Era um ginásio relativamente grande. Os ingressos ocupariam não mais que 30% do espaço. Eu era um desses 20, com entrada garantida. Estava com a barba comprida, um chapéu de palha e uma bandeira da República Bolivariana da Venezuela na mão. Mas antes de tudo começar, corremos num xerox para fazer cópias coloridas dos ingressos e garantir a presença dos outros 30 sem entradas. Nossa empreitada deu certo. Não houve maiores problemas para entrar, tampouco lá dentro. Cantamos juntos com Correa a mais linda canção a Ernesto de La Serna, a eterna “Comandante Che Guevara”.



Aprendimos a quererte, desde la historica altura
Donde el sol de tu bravura, le puso cerco a la muerte

Só que nenhum dos presentes possuía o carismo de Hugo Rafael Chávez Frias. Encantador. Agitador. Aqueceu o ginásio semi-vazio, por questões de segurança. Havia mais que discurso nas suas palavras. Tinha muito de América Latina. Chávez tornou-se América e a América de esquerda virou Chávez. Nosso continente presenteou pelas suas mãos,o líder do império Obama, com as nossas veias abertas, escrita por Galeano. Foi ele que em plena guerra do Iraque pôs a voz de Chefe de Estado contra o genocídio de Bush. Sempre irônico não desperdiçou a oportunidade na ONU de falar que o ambiente ainda cheirava a enxofre, após a passagem de Bush. O máximo que seus opositores vibraram foi quando o rei (?) Juan Carlos da Espanha disparou aquele “por que não te calas?”. Que legitimidade possui a coroa de Juan, que lhe permitiu estar ao lado de Chávez, em pleno século XXI? Talvez sinta nestes tempos o conforto da ausência jacobina.

Chávez é que não deixou os inimigos externos e internos, nem o câncer, nem as imprensas do mundo, calarem sua voz. Cometeu passos que eu jamais apoiarei. Quase todos de nós que sonhamos e lutamos com nossa América Latina unida, livre e soberana tomaremos algumas das medidas de Chávez ou teremos alguns como aliados. Muito coisas que esse Estado que não é nosso colocou como opção na sua frente.

Subi numa cadeira plástica, para ficar o mais à altura dos olhos de Chávez fosse possível. E lá pelas tantas – jurarei até a morte – ele olho no meu olho, aquela caricatura humana barbuda, de chapéu e bandeira bolivariana na mão, e acenou. Poucos acreditaram nisso. Assim como quase todos perguntaram como apertei a mão dele na saída e ganhei um autógrafo na bandeirinha venezuelana que ganhei na entrada do ginásio. Por cima do cordão de isolamento feito por militantes do MST, todos FELIZMENTE com cerca de 1,70m, eu pude esticar o braço, chamar a atenção de Chávez e ter os 30 segundos mais importantes daquele Fórum, talvez daquele ano. A Revolução também se faz de homens e mulheres de 1,70m. Também se faz com pessoas como Hugo Rafael Chávez Frias.


P.S.: A bandeira autografada ficou Bernardo Côrrea. Um dia espero reencontrá-la.

Um comentário:

Tony Gigliotti disse...

hehehe, boto fé. Também estive neste dia histórico lá no Hangar, em Belém. Também faço um balanço positivo da passagem de Chavez entre nós. É uma pessoa com qualidades e defeitos, como qualquer outra. E que deixou um mensagem muito positiva para construção do socialismo.