domingo, 28 de julho de 2013

O começo da revolta, a abertura de um novo tempo

Uma hecatombe indevidamente dimensionada aconteceu com o título da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo Corinthians. Abriu-se uma nova quadra histórica. Crises, guerras e revoluções mudam muita coisa. Só que os habitantes que não sabem nada sobre o Brasil e que não entendem porque a apatia popular deu lugar à rebeldia em junho desse ano, mirem 11 meses atrás. O Corinhtians matou a maior zica do futebol continental, uma das maiores do mundo. Foi campeão da Libertadores sobre o Boca, com gol do Romarinho na Bombonera e com dois do Emerson Sheik no Pacaembu. Sheik é o cara que gastou R$ 10 mil para ir a um treino de helicóptero para não ser multado por atraso. Ele tem um macaco de estimação. Não sei se com autorização do Ibama. E nem sei se ainda está com o macaco. Essa soma de mistérios aumentou muito a mudança da situação política mundial. Mesmo sem elas o Corinthians ter atingido à glória sobre o todo-rico Chelsea também foi extraordinário.

Alessandro levantou a Libertadores mais destoante da história

A confirmação dessa nova situação confirmou-se com o título do Galo na Libertadores. Não quero discutir merecimento, competência e qualidade técnica. O Galo e até outros times já mereciam ter conquistado à Libertadores muito antes. Com o Cuca técnico, o Jô, o Tardelli, o ALECSANDRO em campo. Fazer sofrer 40 anos um torcida gigante é muito sofrimento. Agrega-se a isso que essa massa em sua maioria utiliza o transporte coletivo todo dia. Paga caro, anda atrolada no busão, espera eternidades. Essa gente que escuta estórias de que há metrôs no mundo que são rápidos, espalhados por toda a cidade e que funcionam todo o tempo. Que existem alguns lugares com saúde e educação padrão Fifa. Essa confusão de sentimentos, aspirações e frustrações motivaram muita coisa. Porra. Todo mundo sabe que no dia seguinte de ganhar um grande título foda-se o mundo, o ônibus, a saúde e a educação. Tudo fica lindo. Só que a maioria dos torcedores a massa de milhões que vivem o Brasil real vivem a miséria do futebol. Posso dar meu depoimento. DEZ ANOS de ocaso e desgraças. De Chengues Morales e qualquer outra coisa do tipo.

Calculem a quantidade de emoção e energia humana expelidas no ar quando o Corinthians conquistou a Libertadores. É maior do que o bater de asas de uma borboleta do outro lado do mundo que faz tudo mudar. Começo a acreditar numa nova era alvinegra. Primeiro o Corinthians, depois o Galo. Nessa sequencia ilógica aos céticos não duvido que o Botafogo ganhe algo de expressão. Nisso Seedorf pode ser o mago que prevê o futuro e toma decisões ABSURDAS, como sair do Milan para o Botafogo, ainda por cima justificar essa medida dizendo que tem parentes (esposa eu acho) botafoguenses. O cara é tão PAPAL que fala 28 idiomas. Fala português melhor que a média nacional.

No Brasileirão de 95 ele foi cruel, muito cruel

Parece que a queda do Sarney e do Renan Calheiros está diretamente relacionada a capacidade do Botafogo de enterrar seus fantasmas. Deixar de ser aquele clube mágico de Nilton Santos, Garrincha, João Santana, Sérgio Manoel e Túlio Maravilha para entrar no panteão da nova era, a Era Alvinegra de um Brasil indignado.

Rio de Janeiro, junho de 2013